Kariri-Xocó
Leonil Junior

Kariri-Xocó

Os Kariri-Xocó representam a fusão de vários grupos tribais, resultantes de séculos de aldeamento e catequese. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, as terras destinadas para a catequização e sustentação dos missionários foram tomadas pelo Império, forçando os índios a buscarem novas aldeias. Devido a essas diversas fusões surgem os Kariri-Xocó. A denominação é adotada como consequência da mais recente fusão, ocorrida há cerca de 100 anos entre os Kariri, do município alagoano de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó da ilha fluvial sergipana de São Pedro.


Grande parte das terras tomadas dos índios estava sob a administração da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF), quando em 1978 os Kariri-Xocó as invadem, reivindicando a posse imemorial das terras. A FUNAI auxilia aos poucos na construção das casas na nova aldeia. Assim, os índios foram abandonando o que era denominado "Rua dos Índios", no centro do município, onde viviam junto aos não-índios, porém marginalizados e isolados numa rua e passaram a ocupar as terras indígenas que foram demarcadas permanentemente em 1991.


O cotidiano desses índios de Alagoas se assemelha muito ao das comunidades rurais. A venda da mão de obra na agricultura da região é uma das fontes de renda dos Kariri-Xocó. Uma parte deles trabalha nas lavouras de cana da região sul do estado. Outra fonte de renda é a utilização do barro para a fabricação de tijolos. Essa atividade acontece geralmente na entre safra, quando as mulheres, excelentes ceramistas, não trabalham na agricultura.


Embora sejam cerca de 2500 índios entre os que se auto-identificam e os que realmente são reconhecidos pelo grupo, os Kariri-Xocó não preservaram sua língua. O único resquício do que foi uma língua indígena são os poucos termos utilizados no ritual sagrado do Ouricuri e também para designar algumas plantas medicinais.


TORÉ= SOM SAGRADO


O filme documental "Toré = Som Sagrado" traz 12 indígenas Kariri-Xocó que partilham suas visões sobre seu próprio ritual: o Toré.


Os Kariri-Xocó é um Povo Indígena de Cultura Musical, tendo no Toré sua representatividade maior. O Toré é um conjunto de cantos e danças indígenas que expressa os acontecimentos históricos, culturais, apresentando em forma de arte os fenômenos naturais do universo tribal. O canto conectado com a dança, harmonizado no espírito coletivo, praticado na energia nativa, derrama o suor no chão; os movimentos dos braços trazem a chuva refrescante do Inverno. O instrumento musical maracá é tocado de acordo com os batimentos cardíacos do coração, respeitando e seguindo o ritmo da vida. Quem traz o maracá na mão, está com o Planeta Terra em miniatura, simbolizada no coité. Girar este instrumento na mão é movimentar o mundo, trazendo o dia, a noite, faz mudar as estações – Verão, Outono, Primavera e Inverno. Os círculos dos movimentos da dança representam a circunferência da Terra, do sol e da lua, a aldeia, a maloca, o círculo da vida.


Como explica no filme Nhenety – Guardião da memória: “To significa som e Ré significa sagrado; no Toré toda a nossa comunidade esta presente, toda a beleza da nossa diversidade unida, o jeito brincalhão das crianças, a alegria da mulher, o braço forte do agricultor, as pinturas corporais, os cocares com as penas que nosso caçadores caçavam, as maracás feitas pelos nossos artistas… O Toré fala dos fenômenos naturais e também de nossa história.” Ayra acrescenta: “Hoje estamos também dançando Toré com os não índios para eles sentirem na pele que nós não somos mal, é uma forma de promovermos a paz”.


O documentário foi realizado em janeiro de 2008 com a direção de Sebastián Gerlic, Direção de Fotografia de Nicolas Hallet, Som Direto de Marcelo Rabelo e edição de Bruno Gonzalez; contando com o apoio da ONG THYDEWAS e o Banco do Nordeste Brasileiro. Tem duração de 13 minutos, depoimentos emocionantes e muito Toré.


» Com informações do site Índios Online e Encontro de Culturas. 




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