Mestre Zé de Vina

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Mestre Zé de Vina

Com seus mamulengos de diversos tamanhos e cores variadas, o mestre Zé de Vina é considerado o mais vigoroso e fértil mestre do mamulengo da atualidade, conjugando a destreza de manipular com um notável senso de improvisação.  O mestre já se apresentou por vários estados do Brasil e realizou turnês em Portugal e na Espanha, além de ter participado de vídeos sobre a arte dos mamulengos. Ele coordena o Centro de Revitalização e o Memorial do Mamulengo. Mestre Zé de Vina  rejuvenesce e reescreve a tradição do mamulengo a cada novo espetáculo, e sabe como ninguém desvendar o fio misterioso da tradição — a ela incorporando sutilmente elementos da contemporaneidade.

Natural de Glória do Goitá (PE), um vilarejo no interior de Pernambuco,  Mestre Zé de Vina é um dos criadores do grupo Mamulengo Riso do Povo, que também conta com a presença do Mestre Zé Lopes. Zé de Vina é considerado um dos mais importantes mestres mamulengueiros vivos no Estado, e seu grupo é conhecido por dar continuidade a arte dos bonecos, uma legítima tradição de artistas nordestinos. O talento e as técnicas do mestre resgatam o mamulengo pernambucano e reafirmam o estado como maior representante do teatro de bonecos populares do Brasil.

O resultado é um teatro divertido, que transmite conhecimento e mantém viva a tradição brasileira de fazer arte com bonecos. No repertório do Mamulengo Riso do Povo estão as brincadeiras A Fazenda do Coronel Mané Pacarú, As Presepadas do Casamento de Praxedes e o espetáculo Mamulengo Tradicional.

No Encontro de Culturas, o Mestre Zé de Vina deu oficina de produção dos mamulengos. Começou com uma simples apresentação para que os presentes entendessem como as coisas funcionam, desde a voz até o improviso. "Os participantes, depois de se envolver com esse divertido universo, passam a entender o verdadeiro significado da brincadeira", conta Zé De Vina .

Simpático, alegre e muito brincalhão, o mestre Zé de Vina é dono de uma sabedoria inquestionável, sua memória é algo impressionante, digna de causar inveja a muitos jovens de 20 ou 30 anos. Ele lembra como se fosse hoje, a época em que tudo começou, em 1952. "Aos meus 10 anos saía andando e acompanhando os mamulengos dos outros. Nisso ficava só obserando como eram feitos, a maneira como eram apresentados. Aos 12 anos, eu já dava vida aos bonecos, falando e contando as histórias".

Ele descreve em detalhes fatos ocorridos há mais de 50 anos. São histórias, canções, versos, rimas e muitos roteiros utilizados em apresentações que atravessavam as noites pernambucanas, até as cinco horas da manhã. Todos adquiridos com a malícia e astúcia de um apaixonado pela arte de representar e entreter multidões.

Com o passar do tempo, foi se aperfeiçoando, aprendeu a confeccionar os mamulengos que são feitos a partir da madeira da árvore mulungu, típica de Pernambuco, escolhida pelos mamulengueiros há décadas devido a sua leveza e cor clara que proporciona um acabamento satisfatório e não cansa os braços do manipulador. As etapas para a confecção de um mamulengo são: talhar a madeira, lixar, envernizar e pintar na cor preferida. Por último vestir a roupa do boneco, o que fica a cargo de sua esposa. Um processo, lembra ele que demora de dois a três dias.

O mestre criou sua própria companhia Mamulengo Riso do Povo”, a qual passou a se apresentar em sítios, igrejas, festas de casamento, para as mais variadas plateias, em qualquer lugar que fosse convidado. Os anos se passaram e o mestre Zé de Vina tornou-se cada vez mais conhecido em seu estado, pela simpatia e pela bagagem cultural. Um pernambucano arretado que sabe, como poucos, agradar diversos públicos. Nas cidades em que ele se apresenta, é um pouco de tudo: poeta, cantor, contador de histórias, enfim, um roteirista ambulante capaz de descrever em poucos minutos um filme inteiro nos mínimos detalhes, onde é claro, seus mamulengos são as estrelas principais. "O que faz um mamulengo ganhar vida diante do povo, é o ‘cabra’ ter o dom de fazer graça, contar piadas, criar rimas e histórias diferentes para cada personagem, é como conquistar uma moça".

E, nesse processo, enquanto contribuía para a preservação de sua cultura, divertindo e educando o público através do seu alegre e majestoso teatro de Mamulengo, Zé de Vina criou toda sua família. "Criei meus 14 filhos com o dinheiro de minhas apresentações, às vezes até pintava outro tipo de serviço para trabalhar em diárias, mas aguardava ansioso o fim de semana para me apresentar com meus bonecos e minha banda”.

“Eita! Bem, meu mestre, vamo lá agora com fé em Deus primeiramente, alô rapaziada, todo mundo assistindo o nosso teatro de boneco de Mamulengo, nós aqui viemo fazer esse trabalho com muito prazer, alegria, não vamo cobrar nada a ninguém. Ô mestre, abre a porta d’água!” (fala do Mestre Zé de Vina anunciando o início da brincadeira)


Mamulengo Riso do Povo

Este grupo dá continuidade à arte dos mamulengueiros, legítima tradição de artistas do povo do Nordeste. OMamulengo Riso do Povo, de Lagoa de Itaenga/PE, tem como seu criador Zé de Vina, considerado como um dos mais importantes mestres mamulengueirovivo do nosso Estado. Seu talento resgata omamulengo pernambucano, como representante maior do teatro de bonecos popular brasileiro. "O Riso do Povo apresenta um espetáculo puro, original e absolutamente autêntico, na medida em que se desenrola na vertente criadora de séculos de tradição. O resultado é extremamente gracioso, divertido e importante para o conhecimento do que seja a tradição brasileira do teatro de bonecos", depõe o pesquisador Fernando Augusto Gonçalves.

Espetáculo - Mamulengo tradicional

Como qualquer outro mamulengo, o espetáculo do Riso do Povo é uma sucessão de passagens ou cenas, que são costuradas pela maestria do Personagem Simão, apresentador, herói e anti-herói da "brincadeira", expressão usada pelos artistas populares quando se referem ao seu espetáculo. O "brinquedo" é rico de cenas hilariantes, repletas de ingenuidade, graça e malícia, tão comuns aos espetáculos populares. São passagens como a de Zangô e sua mãe; da cobra Xibana e de Xoxinha sua dona; dos cabos e guardas, sempre derrotados pelo Simão após hilariantes pancadarias; do Coronel Mané Pancaru, rico proprietário de terras de quem Simão é empregado; da Quitéria, mulher do Coronel a quem sempre trai com Simão etc. O espetáculo é recheado com muitas passagens musicais, uma vez que o Mestre Zé de Vina atua sempre acompanhado por um trio formado por zabumba, ganzá e sanfona. O improviso e as brincadeiras com a platéia tornam o espetáculo mais descontraído e participativo.

Mamulengo é um tipo de boneco típico do nordeste brasileiro, especialmente na Zona da Mata de Pernambuco. A origem do nome é controversa, mas acredita-se que ela se originou de mão molenga—mão mole, ideal para dar movimentos vivos ao fantoche. Em todos eles há uns panos à frente, atrás dos quais se escondem um ou mais manipuladores que dão voz e movimento aos bonecos. O mamulengo faz parte da cultura popular nordestina, sendo praticada desde a época colonial. Retrata situações cotidianas do povo que a pratica, geralmente situações cômicas e sátiras. Os mamulengueiros são sábios na confecção e manipulação dos bonecos. Em Pernambuco são reconhecidos como verdadeiros mestres e aprenderam a cultura com gerações mais antigas.

***Texto produzido com informações retiradas da Gazeta Digital. 

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