Samba de Viola Raízes de Pitanga
Fredox

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Samba de Viola Raízes de Pitanga

O Samba é composto por 18 sambadeiras e 12 tocadores. O violeiro, José Moura é o mais velho integrante do grupo e a sambadeira mais velha é Maria Cândida. O grupo se apresenta com os homens tocando instrumentos variados - como gimbê, pandeiro, marcação, viola, tam tam e tábuas - e as mulheres rodopiando com vestido rodado nas cores vermelho e branco, que enriquece o gingado dos movimentos.

Bernadete Pacifico, a coordenadora geral, fala com muito orgulho do trabalho desenvolvido em várias cidades divulgando nas escolas, festivais, encontros e assim conservam a tradição de aproximadamente 150 anos de história, passada de geração em geração, e mantendo a viva a cultura quilombola do Recôncavo Baiano.

Na comunidade fazem a Festa de São Gonçalo, padroeiro dos quilombolas assim como Santo Antonio. São Gonçalo é o santo casamenteiro, embora seja conhecido também como padroeiro dos músicos, prostitutas e gestantes. Existe até a crença que a reza de São Gonçalo cura o vício da embriaguez, pois ele foi alcoólatra e depois se tornou santo.

A Dança de São Gonçalo é uma tradição centenária que passou de geração em geração no pequeno povoado de Pitanga de Palmares. Até hoje são realizadas diversas manifestações cênico-musicais como a Dança do Engenho, que se dança na roda após o trabalho agradecendo a produção da cana de açúcar, e a Dança de São Gonçalo que é uma reverência ao Santo Gonçalo. Esta apresentação acontece no mês de janeiro com um Caruru para as crianças, um longo Reisado e uma dança particular na frente do Santo iluminado seguido de um repicado samba de viola e batuque. As festividades incluem as danças, comidas típicas e muitas apresentações culturais da região. 

Bernadete agradece sempre ao Mestre Matias dos Santos, o Mestre da Cultura, que segundo ela fez um trabalho único no sentido de resgatar várias manifestações culturais como o samba de viola, Bumba meu boi, Baile de Pastorinhas, Samba do Engenho, A Burrinha e a Loba, Terno de Reis, Samba de Caboclo, Candomblé local (Ilê Axeajipocan) e outros. Com orgulho ela conta que recebeu das mãos de Mestre Matias a missão para continuar esse trabalho.  “Ele me entregou o cajado na sala do hospital quando sentiu que já ia  partir”, lembra Bernadete.
 

Atualmente o grupo conta com a ASSEBA (Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia- http://www.asseba.com.br/) que tem como objetivo fomentar e fortalecer a diversidade de expressão de sambadores e sambadeiras.

Na comunidade, o grupo realiza oficinas de artesanato de piaçavas e palha da costa, matéria-prima tradicionalmente utilizada pela comunidade. Com a palha os integrantes do grupo fazem bolsas, mandalas, chapéus, porta-copo e outros. Trabalham também com o coco da piaçava e realizam oficinas de estandarte, figurinos, onde são confeccionadas as roupas, chapéus e colares.

Durante a apresentação no palco de São Jorge, no Encontro de Culturas, o Samba de Viola agitou uma multidão embalada pela viola centenária e o gingado das sambistas. 

 


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