Roque José e Terezinha
Crédito: Encontro de Culturas

Roque José e Terezinha

O coco de embolada é uma forma de repente muito popular no Nordeste do Brasil. Nessa arte, dois repentistas tocam o pandeiro e improvisam as rimas. Os temas são os mais variados: amor, o próprio repente, o cotidiano etc. Os versos, geralmente, são ofensas entre os dois repentistas, tirando tudo no improviso. Uma dupla de destaque nessa arte é Roque José e Terezinha. Ela de Currais Novos, no Rio Grande do Norte; e ele da pequena cidade de Chã Grande, em Pernambuco. Há 20 anos, esses dois emboladores nordestinos perambulam pelo país, alegrando plateias em praças e feiras, com uma poesia eminentemente popular repleta de improvisos e rimas sobre temas variados.


Roque José e Terezinha apresentam uma verdadeira disputa de versos no palco. Ele pergunta, ela responde e vice-versa. Difícil dizer quem é mais afiado no repente. Nessa arte do improviso, os dois tem muita história pra contar. “Meu pai era repentista e, desde os nove anos, eu faço os versos. Comecei com a minha irmã, depois ela parou e eu continuei com o Roque”, conta Terezinha. 


“Eu fazia o repente, mas só como diversão, eu trabalhava cortando cana. Depois eu fiz dupla com meu irmão e a gente se apresentava no rádio. Quando minha mãe morreu, eu fui pro Rio de Janeiro e conheci Terezinha. Logo a gente deu certo e estamos juntos há 20 anos... no repente!”, brinca Roque.


A dupla faz o repente com o pandeiro. Existem também os repentistas de viola, mas os dois preferem trabalhar com o pandeiro, porque é mais rápido, não dá muito tempo para pensar. “Eu até faço os dois tipos, mas prefiro o de pandeiro, é mais ligeiro. O de viola dá até sono às vezes!”, finaliza Roque, rindo.


HERANÇA DE PAI


Terezinha é o nome artístico de Otília Dantas de Lima, repentista desde os 9 anos de idade. “Meu pai era violeiro e repentista e foi quem me influenciou para que eu seguisse essa carreira. Ainda na infância, comecei a cantar nas praças Gentil Ferreira, do Alecrim e da Ribeira, em Natal. Durante 20 anos, fiz dupla com minha irmã Lindalva. Nós duas cumprimos longa temporada no Rio de Janeiro, morando em São João do Meriti e cantando no Largo da Carioca, na Cinelândia, nas praças XV, Mauá, do Pacificador (em Caxias, na Baixada Fluminense)”, recorda-se. A dupla se separou e Lindalva voltou para Campina Grande (Paraíba).


Terezinha chegou a participar de vários programas de tevê, como os de Flávio Cavalcante, Os Trapalhões, Som Brasil (apresentado por Rolando Boldrin e Lima Duarte), Hebe Camargo e no Domingão do Faustão. Com 15 filhos, 23 netos e 19 bisnetos, Terezinha fala com carinho de Roque: “Ele é como se fosse um filho para mim. Nos entendemos bastante. Na roda, ele tira a rima e eu o acompanho”. 


Foi igualmente o pai violeiro, Sebastião de Barros, quem incentivou Roque José a seguir a arte do repente. No entanto, as influências maiores vieram mesmo dos conterrâneos Barra do Dia, Rouxinol Pereira e Caju & Castanha. “No começo da adolescência, formei a dupla Melão & Melancia, com meu irmão João José. Cantamos muito nas feiras de Caruaru, Gravatá, Vitória de Santo Antão e Bezerro”, lembra. 


Com 23 anos, gravou um disco em São Paulo. Logo depois foi para o Rio, pois queria conhecer Terezinha, de quem era fã. “Trabalho com Terezinha há 20 anos e para mim é uma realização, pois sei que estou ao lado de uma grande artista popular”, elogia.



***Com informações do site Encontro de Culturas, página oficina de Roque José e Terezinha no Facebook.



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