Caretada de Paracatu
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Caretada de Paracatu

Dança de origem africana, a Caretada, também chamada de Caretagem, é uma tradição passada de geração em geração nas comunidades remanescentes de quilombos em Paracatu. A festa é realizada todo dia 23 para 24 de junho, coroando e precedendo a novena de São João Batista.

Na Comunidade do São Domingos acontece a maior e mais antiga Caretada da cidade. De acordo com dona Magna Aparecida dos Reis Solto, moradora tradicional da comunidade, a Caretada do São Domingos é celebrada há mais de 200 anos. “Acredito que a nossa festa seja a mais antiga do município. Meu pai, que tem 104 anos, conta que seu avô, que morreu com 110, já participava da Caretagem quando era criança”.

Este folclore é realizado apenas por pessoas negras, sobretudo homens. No rito da coreografia, são 40 elementos distribuídos em 20 damas (homens travestidos) e 20 cavalheiros. As mulheres não participam, pois são elas quem preparam as comidas e as bebidas para receberem os caretas nas casas, onde as pessoas comem e bebem à vontade sem gastar nada.

A indumentária é toda em fitas coloridas, terminadas por guizos de bronze. Os caretas usam também as máscaras que, segundo dona Magna, eram utilizadas para que os senhores de escravos não reconhecessem quem estava dançando.

A instrumentação típica é composta de uma sanfona pé-de-bode, gaita ponto, pandeiro, caixa, violão, viola, rabeca e maraca. Tudo originalmente histórico e rústico, assim como as músicas cantadas pelos caretas.

Além do São Domingos, a Caretada de Paracatu também é realizada nos distritos do São Sebastião e Lagoa de Santo Antônio e nos bairros Alto do Açude e Paracatuzinho.


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