Rikbaktsa
Divulgação

Rikbaktsa

Cotriguaçu está localizado na bacia do Rio Juruena, na região noroeste do estado do MT inserida no chamado arco do desmatamento, e extremamente relevante para o Mato Grosso, pois representa o último grande bloco florestal remanescente no estado. O município possui 78% de cobertura florestal e 15.000 habitantes em maior parte localizados na zona rural. Suas características socioeconômicas são de frente pioneira amazônica: forte crescimento demográfico (superior a 10%/ ano); taxas de desmatamento elevadas (2% do desmatamento do estado do MT em 2011); crescimento extensivo da atividade de criação de bovinos; e registro de atividade de exploração florestal estagnada ou em declínio. 

A Terra Indígena do Escondido tem 165 mil hectares e está localizada no município de Cotriguaçu, a 45 km da cidade e a 250 km da Funai regional em Juína. A TI Escondido faz divisa com o Assentamento Nova Cotriguaçu, extensas fazendas de gado de corte e de manejo florestal. 

Os Rikbaktsa estão também em outras duas áreas: Terra Indígena Japuíra com 152 mil hectares e está localizada no município de Juara e a Terra Indígena Erikbaktsa com 80 mil hectares, localizada no município de Brasnorte. 

O maior impacto que está ameaçando a comunidade indígena são os projetos das usinas hidrelétricas no rio Juruena que afetará a diversidade, modo de vida e coloca em risco toda a aldeia babaçuzal assim como a TI Escondido.

Os Rikbaktsa estão em processo de desenvolvimento de uma Associação, a ABANATSA, ainda não foi fundada e nem formalizada com CNPJ porque houve atrasos no planejamento do grupo, devido a coleta de castanha do Brasil que é uma atividade realizada por todos os indígenas da aldeia a fundação da Associação ficou para o término da coleta.

 A Associação Indígena ABANATSA tem como missão somar esforços por melhores condições de vida, fortalecer a organização econômica, social e política dos associados e fortalecer o plano de gestão. Com os objetivos de lutar pela autonomia, liberdade, crescimento de desenvolvimento do patrimônio da comunidade; apoiar uma educação de qualidade que respeite a identidade indígena; melhorar a comunicação; fortalecer ações de proteção aos recursos naturais; Promover a saúde integral da comunidade; Estimular e promover a valorização das tradições culturais do povo Rikbaktsa; apoiar o desenvolvimento das atividades de produção sustentável, do extrativismo comunitário e da gestão dos recursos naturais, visando a segurança alimentar.

Os Rikbaktsa elaboraram em 2014, com apoio do Instituto Centro de Vida (ICV), o Plano de Gestão Territorial da Terra Indígena do Escondido. Este planejamento é um guia que auxilia no planejamento das ações, nas tomadas de decisão e na mobilização de recursos para as prioridades, que são: Organização, Mobilização de Recursos e Articulação e Parcerias.

Desafios e Ameaças

O povo indígena Rikbaktsa da TI Escondido vive uma realidade de isolamento e esquecimento das entidades competentes, tanto no nível municipal, estadual e nacional. Estão há mais de 2 anos sem apoio local de um técnico da Funai. O poder público do município não valoriza os indígenas, não contribuem para construção de políticas públicas para os indígenas.

 Na aldeia, moram muitas crianças e jovens que precisam cada vez mais participar da dinâmica de seu povo para não perder os costumes. Um dos desafios apontados pelos mais velhos, é o pouco interesse dos mais jovens em conhecer o seu território assim como os recursos naturais e seus usos para o seu povo. 

O rioJuruena que é a maior fonte de recursos para este povo, está em risco de ser impactado, foram identificados 5 pontos potenciais para produção de energia hidrelétrica. O governo prevê a construção de grandes usinas hidrelétricas com reservatórios a fio d´água. Três impactam diretamente na TI Escondido. Uma delas está prevista no limite da área da TI Escondido, na barra do Igarapé Santarém com o rio Juruena, com potencial de produção de 1248 MW. O reservatório vai ser o maior alagamento do rio Juruena, com 1.029 Km², atingindo cerca de 20% da TI Escondido.

Perspectivas

Foi elaborada uma proposta para o Fundo Sociambiental CASA em março deste ano, com a acessória de Thiago Neves e Elisangela Sodré, para construir um sistema de produção integrada junto aos Rikbaktsa, para que eles possam colocar em prática o plano de gestão que construíram em 2014, onde mapearam os recursos, fizeram um calendário anual das espécies que plantam e colocaram as prioridade da comunidade, além de oferecer uma segurança alimentar para as famílias, com produção de alimentos através da troca de conhecimentos com o grupo de mulheres da Paz e a capacitação de beneficiamento de babaçu; resgate cultural com um levantamento das espécies de interesse para o sistema e sementes crioulas; construção de conhecimentos e potencialidades para que possam defender com mais argumentos e exemplos sustentáveis de produção na terra indígena. 

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