Socorro Lira

Socorro Lira
Foto: Patricia Ribeiro

Socorro Lira por Socorro Lira:

"Sou das rodas e da feira
da tapioca e beiju
da lata d’água, peneira
nada mais, além de tu
e nem aquém
Sou loiceira
no barro, moldando a vida
farinha de mandioca,
na oca, é comida

Entendo de linha torta
e de fazer despedida
portanto, entendo de asa
assim como de voar
- voar é voltar pra casa
que não se sabe onde está
mas ir, faz parte da ida
assim como o faz, ficar"


"Nasci na zona rural de Brejo do Cruz, sertão da Paraíba, Nordeste do Brasil, no ano de 1974. Sou filha da artesã Benedita Pereira e do comerciante José Cassimiro Neto, conhecido por Zé Lira. No sertão, a minha mãe cantava muito para ninar a gente. Dormíamos com a minha mãe cantando ou contando histórias. Ninava cantando cantiga de cangaceiro, como “Mulher rendeira”, recolhida por Zé do Norte. Meu primeiro acesso à literatura escrita foi o cordel. Eu ia para a feira com a minha mãe e lá estavam os vendedores de cordel. Eu não tinha dinheiro para comprar, então ficava por ali e lia os clássicos desse gênero poético. Eu fiquei na zona rural até os 14 anos. Lá, não tinha energia elétrica, mas o rádio a pilha esteve presente desde cedo na minha vida. Eu ouvia pelo rádio Clara Nunes, Marinês, Clemilda, as nossas cantoras de lá e foi assim que se deu um pouco a minha formação. Eu sou aquilo que a minha mãe me fez. Foi ela que me ensinou a cantar e a imaginar".

No XIX Encontro de Culturas

O Show "A Canção Brasileira", com canções de autoria da cantora e compositora Socorro Lira (Ganhadora do Prêmio da Música Brasileira em 2012; e indicada à mesma premiação em 2016 e 2017, como Melhor Cantora na Categoria Regional), é composto de um repertório que aborda temas reveladores das paisagens natural, humana e social, relacionados à cultura brasileira, à existência e à fragilidade com que a vida se apresenta no cotidiano da grande cidade, tragada pela violência que mata no asfalto, mas principalmente nas periferias. Periferias no plural, pois também abate as populações que vivem nos interiores do país, do sertão à floresta, nas fronteiras.

A poesia cantada de Socorro Lira é um contraponto a tudo o que esgota as possibilidades de um convívio pacífico e harmonioso entre as pessoas; e destas com o ambiente. Trata criticamente do abismo social que separa a gente. É quase um desejo forte, um apelo poético, no sentido de se olhar para dentro, de se empreender uma volta para a casa da alma, a consciência. 

O show segue o perfil minimalista da artista, no qual a voz e o texto poético são privilegiados. 

FORMAÇÃO 
Socorro Lira – voz, violão, percussão
Álvaro Couto – sanfona, piano 




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