Turma Que Faz
Marcelo Scaranari

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Turma Que Faz

Doroty Marques nasceu em Minas Gerais, no ano de 1946. Irmã dos músicos Dércio Marques e Darlan Marques, a artista já trabalhou com cerca de 150.000 crianças de todo o Brasil, valorizando a arte e a cultura popular do país. Ela atuou em vários estados brasileiros desenvolvendo projetos de arte educação com crianças carentes, sendo que entre os anos de 1962 e 1964, morou no Uruguai.

No estado de São Paulo, ajudou a criar a Secretaria do Bem Estar do Menor e, através dela, se empenhou em erradicar a violência contra menores infratores da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM). Foi convidada especial da  Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e chegou a ganhar um Prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) por seu trabalho com crianças. Também em São Paulo, criou uma escola de arte e cultura no município de São José dos Campos, adquirindo 12 alqueires de terra para trabalhos com crianças carentes da periferia da cidade.

Quando criança, durante o tempo que morou no Rio de Janeiro, Doroty saía do subúrbio carioca para apresentar-se em programas infantis de calouros como Clube do Guri e Vovô Odilon. Mais tarde, viajou pelo Brasil até chegar ao Uruguai. Apresentou-se durante algum tempo em casas noturnas de São Paulo. E, depois de afastar-se da carreira artística no começo da década de 1970, voltou a apresentar-se com o irmão Dércio Marques.

Ao ser vista pelo pesquisador e produtor Marcus Pereira em show com o irmão no Teatro Pixinguinha, na capital paulista, recebeu o convite para gravar seu primeiro disco. Lançou, então, em 1978, o LP Semente, que contou com a participação dos músicos João de Castro no violão; Dércio Marques no violão e requinta; Claudio Beltrani no baixo; e Altamir, Waldemar, Ruy Sergio, Alexandre Ramirez, Eduardo Szwec e Ézio nas violas e violinos.

Na contra capa do LP, Marcus Pereira fez a seguinte declaração: "Doroty Marques, muito tempo depois de se iniciar no seu ofício de cantar, grava seu primeiro disco. Ouvi-a, pela primeira vez, cantando e acompanhando seu irmão Dércio Marques num espetáculo apresentado no Teatro Pixinguinha, em São Paulo. Ao fim de cada número, o público explodia, coeso e unânime, num aplauso compacto e longo que marca os momentos incomuns de verdadeira comunicação entre o artista e o público. O espetáculo, analisado convencionalmente, era pobre. Mas, era riquíssimo na dimensão do talento, da voz, da emoção e do violão de Dércio Marques. E do talento, da voz, da emoção e do bumbo de Doroty Marques. [...]".

Em 1980, a artista lançou, também pelo selo Marcus Pereira, o LP Erva Cidreira. Em 1983, participou do LP Fulejo, lançado por seu irmão Dércio, pela gravadora Copacabana. Em 1985, lançou de forma independente, em conjunto com Dércio Marques, o LP Criança Faz Arte - Dércio Marques e Doroty Marques, que contou com a participação de 5.000 crianças de Penápolis, no interior de São Paulo, e que foi a trilha sonora da peça Vaqueiro e o Bicho Froxo, de sua autoria, em parceria com Beto Lima e Beto Andreta. O espetáculo foi encenado, com adaptações, pelas crianças do projeto Turma Que Faz, na décima edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2010.

Em 1996, lançou, também com Dércio Marques, o LP Monjolear - Dércio Marques e Doroty Marques e A Escola da Criança - Espaço de Adolescer. Em 1997, gravou o LP Paraíba Encantos, com 800 crianças do Vale do Paraíba, cantando a história do Rio Paraíba. Em 1998, gravou o LP Espelho d'Água, com os filhos dos funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa que patrocinou o projeto. Em 2000, lançou, de forma independente, juntamente com Daniela Lasalvia, Dércio Marques e Luiz Perequê, o CD Cantos da Mata Atlântica. O disco contou com a participação de 500 crianças dos Colégios Maristas de São Paulo e Santos. No mesmo ano, lançou, também de forma independente, o CD Paraíba Vivo, que fez parte de um projeto em defesa do Rio Paraíba do Sul.

No Serviço Social do Comércio (Sesc), em São Paulo, fez uma opereta contando a história do bairro de Itaquera com aproximadamente 200 crianças carentes da região. O espetáculo foi apresentado no Sesc do bairro, para mais de 2.000 crianças. A partir daí, Doroty passou a se dedicar menos aos discos e shows e mais aos trabalhos de arte educação. Por conta disso, montou diversas operetas populares. Um de seus trabalhos mais destacados foi o projeto Cadê meu rio que estava aqui?, que envolveu todas as escolas públicas da região de Penápolis no trabalho de criação coletiva da opereta, além de estudos e pesquisas sobre o meio ambiente. Por conta do projeto, que foi financiado pelo Itaú Cultural, foi feito o replantio da mata nativa dos arredores da cidade e plantio de 5.000 mudas de árvores frutíferas nos quintais das casas.

Acreditando na arte como mola importante para uma educação mais humanística e visando a formação do ser humano consciente e do cidadão crítico, Doroty vem desenvolvendo seu trabalho, ao longo de 30 anos, em escolas de comunidades carentes, por quase todo o país. Ela trabalhou durante 25 anos dentro das maiores favelas do Rio, São Paulo e Belo Horizonte e na região amazônica. Desde 2003, vive na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, onde coordena o projeto Turma Que Faz, voltado para crianças e famílias da região. Entre os vários produtos de seus trabalhos, a artista escreveu duas cartilhas e gravou oito discos; além de formar diversos professores multiplicadores de seu trabalho e de seu método.

Turma Que Faz

O Turma Que Faz visa o desenvolvimento do capital humano por meio de experiências significativas que promovam a auto-estima, a comunicação e expressão, a convivência familiar e comunitária, o reconhecimento do contexto em que vivem e a consciência ecológica e patrimonial.

O projeto consiste na implementação de atividades educativas, artísticas, culturais, esportivas e ambientais, utilizando a arte e o meio ambiente como linguagem que sensibiliza e realiza.

É voltado para crianças na faixa etária de 7 e 10 anos e adolescentes entre 11 e 19 anos de idade, que se encontram em situação de provável risco social, no município de Alto Paraíso e no distrito de São Jorge, em Goiás, sendo atendidas direta e continuamente, 160 crianças nas duas localidades.

Entre os resultados do projeto estão a cartilha Frutos do Cerrado, lançada em 2008, com ilustrações e receitas com frutos típicos do cerrado e o CD Criunaná, de 2009, onde o bioma se faz presente por meio de uma linguagem única somada a ritmos baseados no folclore local.

Atividades do Projeto

Música - Durante a semana, são ministradas atividades musicais. Percussão, violão, viola e construção de instrumentos musicais fazem parte desta oferta, que é disponibilizada para as crianças e adolescentes da Vila de São Jorge. Em Alto Paraíso, canto e percussão são as atividades semanais do Turma Que Faz para as 120 crianças atendidas no município.

Artes Plásticas - Atividade diária das crianças que pertencem ao Turma Que Faz na Vila de São Jorge, quando são estimuladas a reconhecer, valorizar e pintar os elementos da fauna e da flora do Cerrado.

Artes Cênicas - Integrada às atividades musicais, os conteúdos de artes cênicas são apresentados de maneira fluida e oral durante os ensaios e produção da Opereta da Turma; uma montagem anual feita pelos participantes do projeto, com a participação de toda a comunidade da Vila de São Jorge, sempre com temas ligados à cultura popular e ao meio-ambiente. Ao final do processo, o grupo faz uma apresentação pública para aproximadamente 3 mil pessoas, no palco principal do Encontro de Culturas Tradicionais.

Esporte - Capoeira e futebol são as modalidades desempenhadas pelas crianças do Turma Que Faz na Vila de São Jorge, que também organiza campeonatos de bolinha de gude (biloca).

Informática - De terça à quinta-feira, as crianças e adolescentes da Vila de São Jorge têm aulas de informática com o propósito de promover o aprendizado da utilização de recursos de informática. No período noturno, estas atividades são estendidas aos adultos.



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