Badia Medeiros e Nêgo de Brito
Marcelo Scaranari

Badia Medeiros e Nêgo de Brito

Desde que se mudou para Formosa (GO), Badia Medeiros vem construindo parceria com Valdemar de Brito Vanderlei, o Nêgo de Brito, que é natural da cidade goiana. Os dois artistas, que têm carreiras paralelas, formaram uma dupla caipira que resultou na gravação de um CD. A música Sangue de Minas, Coração de Goiás é a marca da união da dupla, que preza pela música de raiz.

Badia Medeiros

Cantor, compositor, violeiro, dançarino e guia de festejos populares, Badia Alves Medeiros nasceu na Fazenda Galho, em Unaí (MG), no ano de 1940. Badia Medeiros sempre foi muito ligado à cultura popular do local. Aos 10 anos de idade, já havia começado a fazer a segunda voz na Folia do Divino, por intermédio de seu tio, que era devoto. O músico se casou com Dona Cesária em 1965. Cinco anos depois, trocou sua cidade natal pela também mineira Buriti de Minas, onde morou durante 23 anos. Após este período, mudou-se para Formosa, em Goiás, cidade onde fabricava e vendia doces de porta em porta, de bicicleta, juntamente com sua esposa, e onde continuam residindo.

Também em Goiás, Badia começou a consertar instrumentos musicais de corda; chegando a abrir uma oficina. Seu pai tinha uma violinha de cinco furos com cravelhas de madeira que passava um tempão dependurada na parede, mas que era também tocada na Folia, na qual ele era contra-guia e puxador de palmas na catira. Badia "namorava" constantemente o instrumento. Com o passar do tempo, o violeiro se tornou capitão de Folia do Divino e dançador de catira e lundu.  Além de tocar a viola caipira e o violão, toca também uma sanfoninha de oito baixos, a chamada "pé-de-bode".

Com sua viola, Badia Medeiros já levou a música caipira a diversos cantos do Brasil. Em 1998, ganhou o Prêmio Renato Russo. E, em 2002, se apresentou juntamente com os célebres violeiros Paulo Freire e Roberto Corrêa no show Violas do Brasil, espetáculo este que, através do Projeto Sonora Brasil do Serviço Social do Comércio (SESC), foi mostrado em 36 cidades de oito Estados brasileiros. Dessa turnê, surgiu o CD Esbrangente, que tem a participação de Badia Medeiros em quatro faixas. São elas: Inhuma do Badia, Quase Verdade, Fogo na Macega e Desembolada. Todas as canções são de autoria do violeiro, sendo a última uma adaptação de uma música tradicional.

Em 2003, Badia se apresentou novamente com Roberto Corrêa, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (DF), no show Violas do Sertão, apresentação que fez parte da programação do XXV Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília. Em 2004, Badia Medeiros gravou o seu primeiro CD solo, intitulado Badia Medeiros - Um Mestre do Sertão, lançado pela Viola Corrêa Produções Artísticas, selo de Roberto Corrêa.

Antes disso, Badia já havia feito alguns registros sonoros de suas músicas, como por exemplo, em 1999, no CD Sertão Ponteado - Memórias Musicais do Entorno do DF, uma pesquisa de Roberto Corrêa e Juliana Saenger com gravações originais da tradição popular. Este álbum chegou a ser indicado para o Prêmio Rodrigo Melo Franco, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e faz parte da Série Cultura Popular Viola Corrêa.

Outra experiência do músico foi em 2001, quando participou da coletânea de 10 CDs intitulada Cartografia Musical Brasileira, interpretando Recordação do Passado, uma canção de sua autoria. O álbum conta ainda com a participação de músicos do quilate de Rogério Gulin (integrante do grupo Viola Quebrada), Juraíldes da Cruz, Zé da Velha e Silvério Pontes, Janela Brasileira, Grupo de Tradições Marajoaras, Cruzeirinho, Quinteto de Cordas de Curitiba (PR), entre outros. Este CD é oriundo do programa Rumos Musicais, realizado pelo Itaú Cultural.

Entre o acervo de Badia Medeiros, merece destaque também a composição Detrás da Serra, que foi escolhida como música-tema do filme À margem do corpo, lançado em 2006 e com direção de Débora Diniz. Um pouco da carreira e das tradições que Badia representa pode ser encontrado no livro Tocadores - homem, terra, música e cordas, lançado em 2002 pela editora Olaria Cultural, do qual o violeiro é um dos protagonistas.


 

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