Fulni-ô
Mariana Florencio

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Fulni-ô

Os Fulni-ô também são conhecidos na literatura histórica como Carnijós ou Carijós. A língua materna deles é falada principalmente pelos adultos e os membros mais velhos. Porém, continua cumprindo um papel importante dentro dos rituais sagrados, principalmente dentro do Ouricuri. Durante esse ritual, que dura os meses de setembro e outubro, todos os Fulni-ô mudam-se para uma segunda aldeia, permanecendo lá até o final da cerimônia.

Durante algum tempo, os Fulni-ô foram considerados os últimos descendentes dos Kariri, que também habitavam aquela região do alto e médio São Francisco. Porém, com um estudo mais aprofundado sobre a língua dessas etnias, percebeu-se que há uma considerável diferença entre elas, descartando a teoria da descendência.  Segundo depoimentos dos próprios indígenas, o povo Fulni-ô é constituído por  cinco outras etnias que se uniram e se fortaleceram como povo Fulni-O. São elas:  Tapuya, Carnijós, Foklassa, Brogadá ou Fola. 

Atualmente, essa etnia tem grande relação com o mundo da população não indígena, uma vez que a cidade de Águas Belas foi fundada dentro do território indígena Fulni-ô, o que alterou profundamente sua organização e cultura. Com uma seca de mais de sete anos que devastou a agricultura de subsistência, este povo passou a ter no artesanato e nas apresentações culturais os principais caminhos para a manutenção econômica. 

Exímios artesãos, este povo tem uma ligação com as aves que só um povo que sofre com a ausência de suas matas, rios e caças, poderia ter. Este povo viaja o Brasil para dividir com todos a sabedoria de um povo que conquistou o reconhecimento de suas terras defendendo a coroa na Guerra do Paraguai. Eles só não imaginavam que ainda assim teriam os limites territoriais de suas terras desrespeitados e que viveriam hoje um dos mais difíceis momentos para a reafirmação de sua identidade.

Abril é considerado um mês de caça para este povo que, sem água, tem na estrada o caminho para gerar renda às suas famílias que permanecem no polígono das secas. Dentro da aldeia, a vida econômica gira basicamente em torno da agricultura de subsistência e também do comércio de artesanatos feitos de palma, como bolsas, esteiras, chapéus e abanos.

Com relação às manifestações culturais dos Fulni-ô, as principais são a dança e a música, inspiradas em vários animais, sendo o Toré o mais tradicional. Os instrumentos mais utilizados são a maráca, o toré e a flauta.





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