Mestre Sabú
Mazé Alves

Mestre Sabú

Manoel Pio Sales, conhecido como Mestre Sabú, nasceu na cidade de Goiás, em 1940. Ainda criança, viajou pela primeira vez à Bahia e teve seu primeiro contato com a capoeira. "Passei pelo Pastinha quase dois anos, depois com mestre Noronha que era muito amigo dele, e aí foi que eu me formei já com o Caiçara". Para Mestre Sabú, é na Capoeira Angola de Mestre Caiçara, que se encontra a raiz da Capoeira Angola que ensina. Ao falar a respeito do Mestre Caiçara, via nele uma pessoa de ética, postura, perseverança, que tem a segurança do que está praticando e ensinando.


Embora gostasse da capoeira, foi em busca de outras fontes e experiências por sua passagem pela Bahia, Mestre Sabú teve oportunidade de aprender Vale Tudo e Luta Livre com o Mestre Valdemar Santana, prática que mais tarde lhe daria subsídios financeiros para trabalhar com a capoeira Angola em Goiás.


Quando em 1958/1959, Sabú veio para Goiânia, a capoeira ainda não era aceita em grande parte pela população, pois acreditava se tratar de terreiro de macumba: "[...] eu mantive a capoeira viva até ter a aceitação pela sociedade, pois não tinha aceitação infelizmente".


Em 1960, o Mestre inicia suas atividades desportivas em Goiânia, com o Vale Tudo e a Luta Livre, com essas práticas ele sustentou sua família durante anos, e ao mesmo tempo, mantendo-se paralelamente as suas atividades com o ensino da capoeira.


Apesar de todo o preconceito e discriminação que sofria na época para assegurar o ensino da capoeira, Mestre Sabú não perde o interesse em divulgá-la paralelamente junto às lutas que realizava. Além de ensinar a capoeira no seu Terreiro de Capoeira Angola na Vila Redenção, ele também fabricava e ensinava a produção de instrumentos como: atabaque, agogô, afoxé, nazal, reco-reco, maracá, tamborim, surdo, cuíca, tumbadôra, timbau, berimbau, ganzá.


Nas entrevistas com o Mestre Sabú percebemos que ele foi um grande autodidata. Ele nos revela como aprendeu a fazer os instrumentos sem ninguém pra ensiná-lo: "Aprendi por necessidade. Eu comprava os instrumentos e os pesquisava. Por exemplo, eu comprei o Agogô e estudava a grossura da chapa, fazia e não ficava bom, aí fazia de novo com outra chapa até ficar igual ao que eu havia comprado", conta em entrevista.


Todos os domingos ao ir para as feiras fazer as suas apresentações com o grupo e, aproveitando do momento, também vendia seus instrumentos, divulgava e chamava a atenção da população para sua banca. Sua luta foi na direção de superar os obstáculos encontrados na sociedade para divulgar a capoeira, considerada, na época, como "coisa de malandro".


Diante destes problemas, Mestre Sabú resolve ressignificar a capoeira passando a estudar suas raízes e história, faz algumas adaptações e, nestas bases, procura efetivar as implementações que ele passou a denominar de Capoeira Arte:


"Nós temos a capoeira específica de Goiás. Que eu criei pra Goiás. Uma Capoeira Arte, porque a sociedade não aceitava mais um jogo da zebra, esse tipo de jogo pesado. Então nós criamos uma capoeira típica do estado de Goiás, com algumas modificações de fugas pra dar mais agilidade, dar mais arte na capoeira, foi um trabalho ardoroso, estudo de muito e muitos anos", contou em entrevista de 2008. 


Ele desenvolveu seu método e a própria técnica para ensinar a capoeira. Não qualquer capoeira, mas uma Capoeira com movimentos precisos, que calcula e tem o sentido da distância de um golpe para o outro, aproveitando as potencialidades de um corpo - que é ao mesmo tempo arma (de luta, defesa dos marginalizados, negros e escravos) e arte (que desenha os movimentos no espaço, com toda graciosidade e artimanha) próprias do jogo e ginga da capoeira.


» Com informações da pesquisa de Daniel Penteado. 




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