Batuque de Ponto Chique
Cultura tradicional

Batuque de Ponto Chique

Compartilhando memória e música, os batuques do alto médio São Francisco percorrem caminhos que a história não alcança. Com suas caixas, roncador, a dança do carneiro e o ritmo frenético, eles energizam um passado que se articula ao presente nos trazendo elementos que não podem ser esquecidos.


É nesse contexto, permeado pelo rio São Francisco, que o batuque de Ponto Chique se torna uma referência da cultura tradicional ribeirinha, que tem forte presença em comunidades quilombolas do Estado de Minas Gerais. O batuque de Ponto Chique atravessa gerações numa memória musical que data do período da escravização no Brasil. 


Os batuques – conhecidos também como lambero, carneiro ou umbigada – foram a “brincadeira” encontrada pelos povos escravizados para comunicar segredos, questões políticas e religiosas numa comunicação cifrada que fugisse da compreensão dos brancos.  O etnomusicólogo Paulo Dias ressalta no artigo “A outra festa negra” que, no período escravista, o espaço de liberdade das danças no terreiro possibilitava um momento privilegiado de comunicação interna por meio da crônica cantada. 


Nesse espaço, cantava-se todo o tipo de mensagens, articulações, críticas e reinvindicações.  Surge então uma linguagem poético metafórica muito peculiar contrariando a percepção da cultura hegemônica. É por isso que os batuques têm papel fundamental no compartilhamento de memórias que se transmitem pela música e que vão se transformando de acordo com os dilemas contemporâneos dos grupos. 






   

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