Cacique & Pajé foi o nome utilizado por dois artistas indígenas, Antônio Borges de Alvarenga (o Cacique) e Roque Pereira Paiva (o Pajé), que fizeram
grande sucesso como dupla sertaneja nos anos 80. Vindos de uma aldeia Kayapó,
às margens do Rio Vermelho, no município de Rondonópolis (MT), os dois foram
criados por boiadeiros e agricultores que os adotaram devido a uma epidemia de
febre amarela. Com o objetivo de manter as duas crianças em segurança, um padre
que ali fazia missões deu os meninos a boiadeiros que passavam por ali.
Antônio foi adotado por Francisco Borges de Alvarenga e Joana Geraldina de Oliveira. Roque Pereira Paiva, o Pajé, foi adotado por Antônio Pereira Paiva e Cecília Verdoot. Cacique e Pajé desenvolveram atividades artísticas e utilizaram diversos outros pseudônimos antes de usarem esta alcunha.
Em 1977, Antônio se juntou a Roque com o nome artístico de Rei
do Gado e Boiadeiro. Em paralelo, gravaram um LP pela Sonora com o pseudônimo
de "Índios Caiapó", O sucesso e o reconhecimento com suas origens os
fez em 1978 assumirem a marca "Cacique e Pajé”. Nome sugerido por
Tonico e Tinoco. Na ocasião gravaram um
LP pela Chantecler, com destaque para Pescador e Catireiro (Cacique
e Carreirinho). No mesmo ano, participaram juntamente com Sérgio Reis e a
Orquestra de Violeiros de Osasco-SP do histórico show promovido por Tonico e
Tinoco no Teatro Municipal de São Paulo-SP, o qual também deu origem ao livro
Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal.
Anos depois, Cacique ficou sabendo que ele era realmente filho de
cacique Kayapó, enquanto que seu avô paterno havia sido um pajé
(curandeiro) na mesma tribo.
Em 1979, fizeram sucesso com Caçando e Pescando e Deixa o Índio em Paz. E, na década de 1980, lançaram mais 5 LPs, destacando-se, dentre outras, Viola no Samba, Poemas das Cordas, Cadê o Gato e As Flores e os Animais.
Em 1983, Cacique e Pajé participaram do LP de Taiguara Canções de Amor e Liberdade interpretando com ele Voz do Leste.
Em
1985, no lançamento do 8º LP, com destaque para Peão Sabido,
Pajé foi vítima de um derrame que o obrigou a se afastar da dupla.
Seguiu-se um período de três anos no qual as apresentações
continuavam. No entanto, Pajé apenas "dublava" e mal conseguia
cumprimentar o público. Cacique também era ajudado pelo Rocha, da dupla
"Rocha e Umuarama", por Zé Matão e também pelo Odilon (o mesmo que
já formou dupla com Tião do Carro), nas apresentações em que Pajé não tinha
condições de se apresentar.
Em 1993, Cacique teve problemas cardíacos e precisou passar por
um procedimento cirúrgico. Neste período, ambos eram ajudados por irmãos de
sangue, que os interpretavam em algumas apresentações.
Além de "Caiuê e Caiapó", os irmãos de sangue Odilon
e Zé Matão também dublavam Cacique e Pajé nas apresentações da
dupla. Nesta época, diversos amigos assumiram o papel de "Pajé" ao
lado de Cacique. Entre eles, Luiz Mariano, Zé Nobre e Pedrinho Tamim. Roque Pereira Paiva, o Pajé, veio a falecer tragicamente, no ano de 1994, após
ter perdido a voz, sofrido dois derrames e ter amputado o braço e a perna
direita. Ele deixou a esposa com oito filhos.
Cacique, desiludido, tinha a informação médica de que não voltaria a cantar. Neste período, Índio Cachoeira, José Pereira de Souza, substituiu
Pajé na dupla, que prosseguiu com o mesmo nome e lançou um novo LP pelo selo Disco
de Ouro, com destaque para Barretos Não Faz Feio. Em vida, era Pajé
quem escolhia aqueles que podiam o substituir, mas depois de morto a dupla
seguiu com Índio Cachoeira.
Antônio, o Cacique, voltou a cantar. Em uma apresentação com o “Trio Andorinha”, Cacique encontrou seu novo Pajé. Geraldo Aparecido da Silva, um primo distante, filho da indígena Joana Dias Barbosa. Nascido em Itapuí (SP), às margens do Rio Tietê, no dia 29 de julho de 1943. Em 1997, passou a ser conhecido por Pajé e se apresenta até hoje ao lado de Cacique. Foram mais 6 CDs e diversos shows.
Antônio Borges e Geraldo Aparecido fizeram música em plena
atividade com o nome Cacique e Pajé até 2019, quando Antônio, o Cacique, faleceu aos 84 anos. Uma história bonita de arte e cultura, cantando o povo e suas origens.