Carroça de Mamulengos
Cultura Tradicional

Carroça de Mamulengos

A Carroça de Mamulengos é uma trupe de saltimbancos criada na Capital Federal, em 1976. A companhia percorre o Brasil em um ônibus, fazendo apresentações nos mais variados espaços, com bonecos gigantes, palhaços em perna-de-pau, números de mágica e canções inspirados na força da cultura popular do interior do País.

Formada por diferentes gerações de uma mesma família, a Carroça de Mamulengos tem o picadeiro como extensão da sua casa. O seu trabalho de concepção cênica está em constante transformação, com as crianças entrando em cena desde cedo, se formando como artistas de palco, no palco. O grupo possui um acervo de espetáculos quem, de acordo com os lugares por onde passam, vão incorporando novos elementos estéticos.


O GRUPO

Carlos Gomide

Carlos Gomide, também conhecido como Carlos Babau, nasceu em Rio Verde (GO).

Começou a trabalhar com arte em 1975, em Brasília, junto ao diretor Humberto Pedrancini, em um grupo chamado Carroça. Participou de duas montagens: Pedro Malazartes, com texto de Maria Helena Kuhner; e Cidade que não tinha rei, uma montagem coletiva.

Com o dissolvimento do grupo Carroça, Carlos herda o nome “Carroça” e começa a traçar um caminho próprio.

Em 1976, conheceu a poética do mamulengo por meio do espetáculo Festança no reino da mata verde, do grupo Mamulengo Só Riso, onde o saudoso Nilson Moura brincava o personagem principal, o Tiridá, com direção de Fernando Augusto.

Em 1977, já encantado com a força do teatro de bonecos, linguagem que se tornou base de criação de seus trabalhos, montou um espetáculo com bonecos de sucata, As Bravatas do Professor Tiridá na Usina do Coronel de Javuna, com texto do mamulengueiro pernambucano Januário de Oliveira. Com essa brincadeira começou a viajar o Brasil, tornando o Carroça um grupo itinerante.

Em 1978, participando de um festival no SESC Madureira (Rio de Janeiro), conheceu o mestre Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), brincante de uma espetacular originalidade, da cidade de Mari (PB). Em 1979, Carlos viajou ao encontro de Seu Antônio do Babau para conviver como discípulo de um mestre. Para Seu Antônio, foi enaltecedor receber uma pessoa de fora, com desejo de aprender e valorizar sua arte. Após um ano e meio de convivência no roçado, nas festas e nas brincadeiras, Carlos terminou de completar seu terno de mamulengo (conjuntos de bonecos de uma brincadeira) e teve a permissão de levar essa tradição mundo afora.

O aprendizado norteou o caminho do Carroça de Mamulengos, que a partir de então sempre esteve junto aos mais diversos mestres e brincantes, das mais variadas manifestações populares. Convivendo, com uma relação de amor, respeito e cumplicidade, Carlos Gomide foi lapidando uma linguagem estética única pra o grupo.

Schirley França

Schirley França começou a trabalhar com teatro em 1980, com o Grupo Retalhos, tendo como foco de trabalho a criação de espaços para apresentações artísticas e a formação de plateia. Participou de muitos espetáculos, circulando por Brasília e pelas cidades do entorno. Em 1982, na passagem da Carroça por Brasília, Schirley, então com 17 anos, conhece Carlos Gomide. Casaram-se e ela se tornou integrante do grupo, deixando para trás Brasília, sua companhia de teatro, a universidade de artes Dulcina de Moraes e a família, para seguir um caminho completamente diferente: a construção de uma arte vivida no dia-a-dia, o desafio de criar uma família na estrada, educar, cultivar a fartura. Enfim, tornar todo espaço um lar que aconchegue a grande família que a Carroça formou em todos esses anos rodados.

A família

Com o nascimento dos filhos, Maria (1984), Antonio (1986), Francisco (1988), João (1990), Pedro e Mateus (1995), Luzia e Isabel (1998), houve a necessidade de criar uma concepção cênica que possibilitasse a participação das crianças dentro de uma consciência de que vida e arte se complementam. Assim, de forma orgânica, Carlos e Schirley foram integrando conceitos de arte e educação na formação dos filhos, que, desde sempre, acompanham seus pais em sua itinerância pelo país. Em cena, transformam arte em vivência.

É assim que, em função do amadurecimento de cada filho, naturalmente, a dança, a música, o canto, os bonecos e os elementos circenses foram incorporados às brincadeiras.

O picadeiro, para essa família, é sagrado. É a extensão do próprio lar. Hoje, a Companhia Carroça de Mamulengos apresenta suas brincadeiras em praças, feiras, ruas, teatros e festivais. Trilha um caminho de fé, acreditando na vida e na arte como meio capaz de tocar profundamente os corações de homens, mulheres e crianças. Abraça o Brasil e por ele é abraçado.


ESPETÁCULOS

  • Seja Noite ou Seja Dia, Viva o Palhaço Alegria

O Palhaço Alegria foi o primeiro boneco gigante criado pela Carroça, usando elementos naturais como cabaça, corda, cordões. Com estrutura que possibilita a liberdade de mãos, pés e voz do brincante, essa criação originou diversos bonecos que hoje caracterizam a linguagem estética do grupo.

  • Felinda

Um dia, uma moça, nem feia e nem linda, sonhou em fugir com o circo. Fez suas malas, mas, quando foi procurá-lo, o circo já havia baixado a lona e partido. Vendo-se sozinha, desatinou: esqueceu seu nome e de onde vinha. Só não esqueceu o circo e permaneceu esperando. Eis que, evocado por suas lembranças, o circo aparece, trazendo uma charanga de palhaços, quatro gêmeos distintos, uma bailarina tímida, bonecos reais e seres imaginários que rondam o picadeiro de sua memória.

  • Mamulengo é Terno Divino

Nesse espetáculo, Carlos Gomide revive o mamulengo, dando vida a bonecos que foram recebido das mãos de mestres do folguedo. Terno é o nome que se dá ao conjunto de bonecos que formam a brincadeira. Nessa apresentação, revive-se a beleza divina desse teatro tão singelo, capaz de falar de assuntos tão profundos e tocar com delicadeza e poesia o coração dos meninos e os olhos dos homens.

  •  Afilhados do Padrinho

Grupo musical, formado na Companhia,com apresentações que envolvem ritmos como baião, coco, marchinhas, xote, samba, em um genuíno forró nordestino.

  • Histórias de Teatro e Circo

Apresenta bonecos confeccionados com elementos da natureza, criados a partir do nascimento dos filhos e passados de irmão para irmão, revelando, assim, o crescimento de uma família no espetáculo. Sua arte é viva e dinâmica, em constante transformação.

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OFICINAS

  •  Brinquedos populares

O Carroça sempre buscou em suas viagens recolher brinquedos populares, compondo, hoje, um amplo acervo. Alguns modelos foram escolhidos para realizar oficinas de confecção, sempre utilizando elementos naturais e reciclados. Os brinquedos são diversos. Entre eles estão: Rói-rói, Corrupio, Mané Gostoso, Galinha, Traca-traca, entre outros.

  • Bonecos

O Carroça, desde sua origem, sempre trabalhou com bonecos de várias linguagens e, com isso, elaborou uma estética própria de construção, explorando elementos naturais como a cabaça, as sementes, o sizal, a madeira, a bucha, entre outros. A duração é indeterminada, depende da construção dos bonecos, que podem ser gigantes, bonecos de vestir (como boi, burrinha tradicional), bonecos de vara, máscaras e o que mais a imaginação presentear.

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