Catupé Santa Efigênia de Catalão
Cultura Tradicional

Catupé Santa Efigênia de Catalão

Na cidade de Catalão (GO), os Ternos de Catupé, também chamados Catupé Cacunda, que se diz que "catuca o pé com a cacunda", representam a alegria, a astúcia dos negros que fugiam das senzalas. Seus instrumentos são as caixas feitas com couro de vaca, e os dançadores acompanham o capitão e seu tamborim com os pandeiros. No catupé existe ainda a figura do sanfoneiro.

O Catupé Santa Efigênia de Catalão (GO) foi fundado em 2007 e é conduzido pelos capitães Saulo Júnior e Samuel. As cores predominantes são o preto, presente na calça e no chapéu, e o prata, cor da camisa usada por todos os devotos do grupo. Também usam fitas coloridas nos chapéus, simbolizando os mantos de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia. O grupo se apresenta com passos sincronizados e fortes batidas, tudo guiado pela voz do capitão Saulo.

O grupo completo se apresenta com caixas, tarol, acordeão, pandeiros e bandeira. Os ternos começam a sair pela cidade no segundo final de semana de agosto. “A gente vai até o início de outubro. Aí quando é dia 1º de outubro tem a alvorada, as novenas. No final das novenas tem o levantamento do mastro e, depois, no decorrer de sábado, domingo e segunda, aí é o forte das congadas, que reúne os grupos, todo mundo fardado”, conta Saulo Junior, capitão do Congo.

Assim como manda o costume em várias outras festas religiosas, o festeiro é o responsável pela organização e também pelos gastos da tradição, contando com a ajuda da Irmandade do Rosário e também da prefeitura. A tradição das congadas é muito forte dentro da comunidade. 

CATALÃO

O município de Catalão, onde é realizada a centenária Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, é uma cidade de médio porte que a cada ano se desenvolve mais. Ficou conhecida não só pelas indústrias e mineradoras que se instalaram na região, mas também pela valorização da cultura, especialmente pela Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário.

A origem da cidade está ligada ao contexto do Ciclo do Ouro, período da terceira década do século XVIII. O processo de ocupação do território aconteceu em dois momentos distintos: o primeiro foi impulsionado pela descoberta do ouro em alguns locais do estado e pela busca de espaços para atividades agrárias; e o segundo aconteceu quando foram instaladas em terras goianas as estações dos trilhos de ferro, o que atraiu trabalhadores para a região. 

Como a propagação da cultura dos negros escravizados chegando ao país, Goiás também recebeu, em Catalão, grupos vindos da cidade de Araxá (MG), que trouxeram a Congada. 

Tudo começou por volta de 1820, quando Catalão ainda era uma vila e a festa acontecia nas fazendas da região, com o intuito primeiro de um fazendeiro em fazer uma festa para que o negro comemorasse o bom êxito do seu trabalho, cultuando os santos de seus senhores, como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. 

A CHEGADA DA FESTA EM CATALÃO

A festa em Catalão originou-se com a ideia de um fazendeiro, Pedro Neto Carneiro Leão, da cidade de Araxá (MG), que se casou com Enriqueta Cristina da Silveira e mudou para a região. Ao se mudar, ele fez uma promessa à Senhora do Rosário de que, se fosse bem-sucedido nestas terras, faria uma festa em sua homenagem. Tempos depois, descobriu que estava doente e passou a responsabilidade de cumprir a promessa ao filho, de apenas nove anos de idade. Augusto Neto Carneiro casou-se e, quando iria realizar a promessa feita pelo pai, o vigário da cidade, Padre Joaquim Manoel de Sousa, não concordou com a realização da festa, alegando que ela era pagã. Ele trancou o templo e levou as chaves embora. 

Com o passar dos anos, o então coronel Augusto Neto Carneiro decidiu não mais acatar a decisão do padre e arrombou a porta do templo para fazer a festa. Assim, com ele, começou uma das maiores festas do Brasil em louvor a Nossa Senhora do Rosário. 

A festa do Rosário de Catalão, iniciada a partir dos fatos mencionados acima, é incontestavelmente motivada e amparada pela cultura africana, tendo em vista a participação dos negros da fazenda e de suas tradições. Lá eles rezavam, cantavam, dançavam e celebravam a manifestação popular. 

REFERÊNCIAS

MESQUITA, Janaina Faleiro Lucas. Sob as contas do rosário: objetos e lugares da Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário em Catalão, Goiás. 2016.

https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/MMMD-AMUUE6

MANOEL, Cássio Ribeiro; DE PAULA, Maria Helena. Entre batuques e ritmos: sagrado e profano na Festa do Rosário de Catalão-GO.

https://www.researchgate.net/profile/Maria_Helena_De_Paula2/publication/320260135_Entre_batuques_e_ritmos_sagrado_e_profano_na_Festa_do_Rosario_de_Catalao-GO/links/5a96228445851535bcdcc0ed/Entre-batuques-e-ritmos-sagrado-e-profano-na-Festa-do-Rosario-de-Catalao-GO.pdf


   

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