Coco de Umbigada de Mãe Beth de Oxum
Cultura Tradicional

Coco de Umbigada de Mãe Beth de Oxum

O Coco da Umbigada conduzido por mãe Beth de Oxum e Quinho Caetés foi criado em 1998, no bairro de Guadalupe, em Olinda. Uma festa que resgata uma tradição familiar, a partir da ressignificação de um tambor que pertencia à família de Quinho Caetés, feito da madeira nobre da macaíba, e representava a memória de seus antepassados.

O Coco da Umbigada conduzido por mãe Beth de Oxum e Quinho Caetés foi criado em 1998, no bairro de Guadalupe, em Olinda. Uma festa que resgata uma tradição familiar, a partir da ressignificação de um tambor que pertencia à família de Quinho Caetés, feito da madeira nobre da macaíba, e representava a memória de seus antepassados.

Tudo começou no quintal da casa da família de Beth e Quinho. Com a continuidade, foi fomentando uma maior consciência de seus participantes a respeito do papel maior da brincadeira: pertencimento em relação ao seu território, valorização, difusão e preservação da memória da brincadeira do coco. A sambada do coco de umbigada acontece tradicionalmente no primeiro sábado de cada mês e mobiliza um público médio de até duas mil pessoas, entre coquistas, mestres da cultura popular, artistas, produtores culturais, educadores, gestores públicos, estudantes, turistas, jovens e a comunidade em geral do Guadalupe.


O grupo tem suas atividades diretamente ligadas à religiosidade. O Terreiro de Umbigada em Olinda, onde acontece a sambada, tem como líder religiosa a mãe Beth de Oxum. A casa foi passada à Beth por sua mãe Lúcia de Oyá. É a ocasião quando a comunidade se reúne para tocar, cantar, dançar, reverenciar a ancestralidade, os orixás do Candomblé e as entidades da Jurema Sagrada.

Outras ações realizadas pelo grupo dizem respeito à organização comunitária sem fins lucrativos que mantém atividades artísticas, culturais e educacionais oferecidas para a comunidade, como forma de resgate de práticas, valores e da auto-estima através do protagonismo cultural. O local já foi contemplado pelo edital de Pontos de Cultura e até hoje acessa editais que potencializam as ações desenvolvidas.

COCO DE UMBIGADA NO ENCONTRO DE CULTURAS

O encerramento das apresentações da noite de 23 de julho de 2006 movimentou a Vila de São Jorge. Um grande público se posicionou em frente ao palco do evento para conferir o axé do Coco de Umbigada de Mãe Beth de Oxum, que veio de Pernambuco especialmente para o VI Encontro de Culturas Tradicionais de Chapada dos Veadeiros.  Nascido na aldeia de Paratibe, cidade de Paulista, região metropolitana de Recife, o Coco de Umbigada é uma manifestação cultural que começou no século passado, com os avós de Mãe Beth, João Amâncio, Zé da Hora e Zé Mamão.

Com orgulho, Mãe Beth iniciou sua apresentação, saudando a Chapada dos Veadeiros, que, segundo ela, é a terra das cachoeiras, da água doce, elemento de Oxum, sua orixá. Em seguida, pediu a benção à Mãe Lúcia de Oiá, sua mãe biológica, também integrante do grupo, mas que não pode vir a São Jorge devido ao desgaste físico que sofreria na viagem (o grupo veio de ônibus de Recife). "Hoje, vamos nos apresentar sem ela, apesar da tradição de se passar o Coco de Umbigada ser de pai para filho. Na sambada, eu, minha mãe que tem 61 anos e meus filhos cantamos. Procuramos sempre preservar nossa auto-estima, difundindo as tradições do Terreiro", explica.

Durante toda a festa, Mãe Beth explicou ao público a origem e importância de se preservar as tradições populares. O grupo, composto por 12 pessoas, em sua maioria familiares, trouxe ao palco um pouco da sambada de coco e da magia do terreiro de candomblé, contagiando os presentes. As pessoas se encantaram com o som e dançaram durante toda a apresentação, levantando poeira com os passos da umbigada.


Ao som forte de instrumentos tradicionais do coco, como o ganzá, o pandeiro, a zabumba e as congas, que, segundo Mãe Beth, trazem uma maior melodia percussiva, integrantes do grupo se revezaram ao microfone, cantando versos que exaltavam a natureza e contavam histórias. "Essa zabumba é de macaíba (espécie de coqueiro da região), pertenceu aos bisavós dos meus filhos, tem mais de cem anos e traz uma pegada rítmica própria".

Para terminar a noite, Mãe Beth anunciou que o Coco de Umbigada e o Maracatu Leão Coroado, que também veio de Recife para o evento, se encontrariam para dançar, tocar e cantar, dando continuidade à difusão da cultura pernambucana em São Jorge. Numa mistura de ritmos, os grupos tocaram noite adentro e arrastaram a multidão pelas ruas da Vila.

No dia 27 de julho de 2006, Mãe Beth de Oxum também ministrou a oficina Danças de Terreiro, que mostrou um pouco da Ciranda, do Afoxé, do Coco e de suas vertentes: como o Samba de Coco que vem da Zona da Mata e sofre influência de tradições indígenas, o  Coco praieiro de Olinda e, é claro, o Coco de Umbigada.


   

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