Conexão Felipe Camarão
Artista Popular

Conexão Felipe Camarão

Grupo da cidade de Natal no Rio Grande do Norte, composto por meninos formados no projeto social Conexão Felipe Camarão.

Os meninos do grupo do projeto Conexão Felipe Camarão cantaram saudando o público do VI Encontro de Culturas: “Viva a cultura brasileira!”. 

O grupo estava uniformizado com as roupas da festa do boi de reis, criadas e confeccionadas pela viúva do mestre Manoel Marinheiro e pelas crianças do projeto.

No palco, um banner com a foto do mestre Manoel Marinheiro representava a tradição dos mestres que  ensinam os mais novos. O grupo composto pelo mestre de rabeca Josenilson Moraes com então 24 anos liderando dois rabequeiros, Ozawa Gaudêncio, e Aldemir Pedro ambos com 14 e 16 anos e o percussionista Daniel Felipe com 14.

Ao final do show os meninos do grupo convidaram Jaiane então com 13 anos, do grupo Caçada da Rainha para subir ao palco e cantar comeles.

“Eu vou cantar agora, mas quero ver todo mundo dançando", animava Jaiane.

O Conexão Felipe Camarão é um projeto social idealizado pela ONG Associação Companhia Terramar, é desenvolvido na comunidade de Felipe Camarão – bairro da zona oeste da cidade de Natal com cerca de 75 mil habitantes e marcado pela contradição entre a riqueza cultural e a pobreza econômica.

O projeto realiza um trabalho educacional através da cultura local com a comunidade do bairro, crianças, jovens, mestres de tradição oral, educadores, escolas públicas parceiras.

Seu objetivo é contribuir com o desenvolvimento de crianças e jovens da comunidade e seus familiares e agrega várias ações do Programa Cultura Viva do MinC, o Programa GESAC  do Ministério das Comunicações. Ponto de Cultura e Programa Ação Griô Nacional.

Apoiando-se na cultura de tradição oral do bairro e seus patrimônios imateriais, como o Auto do Boi de Reis do Mestre Manoel Marinheiro, teatro de bonecos do Mestre Chico de Daniel. A musicalidade do Mestre Cícero da Rabeca e a Capoeira do Mestre Marcos dialogam com os  pressupostos político-filosóficos de brasileiros como Anísio Teixeira, Paulo Freire, Amir Haddad, Darcy Ribeiro, Milton Santos, Lurdinha Guerra, educadora potiguar, entre outros.

 Esse diálogo fomenta idéias e ações possibilitando novas formas de pensar a relação entre cultura e educação, desenvolvimento e transformação social e cidadania. O lugar era conhecido pelos altos índices de violência e abandono. E estão incluídos no projeto os alunos de 7 escolas públicas do bairro que participam de oficinas com foco no conhecimento e preservação da memória das tradições do bairro, com destaque para o Auto do Boi de Reis do Mestre Manoel Marinheiro.

 Os mestres tiveram o reconhecimento de seu papel, ensinando as novas gerações, como Manoel Marinheiro brincante do Boi de Reis, e o mamulengueiro Chico Daniel, hoje já falecidos e tornaram possível a construção desse projeto pelo conteúdo que puderam transmitir.

 Uma oficina de lutheria foi construída a partir do conhecimento e trabalho do mestre Cícero da Rabeca. Realizam-se oficinas de Boi de Reis, Capoeira, Musicalização de Flauta, Musicalização de Rabeca e Lutheria de Rabeca. Além dos conhecimentos específicos, discute-se a promoção da cidadania ativa a partir dos temas da cultura, memória e identidade.

 Com o apoio do Banco Votorantim, novas ações foram iniciadas pelo pólo artesanal para a produção de artigos de moda. Trabalha-se a criatividade e a identidade cultural do bairro nas Oficinas de Estilos e Costumes; da Incubadora de Moda e a Produção Artesanal.

O ponto de cruz, o bordado e a costura são algumas das técnicas manuais desenvolvidas por um grupo de moradoras do bairro na Oficina de Estilo e Costumes com o desenho de figuras relacionadas á cultura da comunidade, como o Boi de Reis.

 Trinta mulheres com idades entre 11 e 82 anos se encontram semanalmente para desenvolver esse trabalho de profissionalização apoiado pela cultura local e seu conteúdo simbólico, identificando e atuando sobre as potencialidades locais para o processo de mudança social..

Esse processo de investimento tem proporcionado mudanças importantes para o desenvolvimento do bairro de Felipe Camarão, que é mostra do poder de transformação pela arte e pelo compromisso com esse objetivo.

 

   

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