Cururu Paulista
Cultura Tradicional

Cururu Paulista

O Cururu Paulista, também conhecido como repente caipira, é o desafio cantado de forma improvisada e acompanhado pela viola.

Originário de Piracicaba, o Cururu Paulista é uma manifestação típica do Vale do Médio Tietê, praticada em cidades como Sorocaba, Botucatu, Conchas, Tatuí, Tietê e Laranjal Paulista. Apesar das modificações que sofreu ao longo do tempo, características como a parte religiosa das cantorias ainda sobrevivem. 


No Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, o Cururu Paulista foi representado pelos violeiros Volmi Batista e Luiz Faria. Foi na mesma noite em que subiu ao palco o Cururu e o Siriri do Mato Grosso, então o público conheceu as duas modalidades do ritmo. 

Volmi e Luiz são amigos e pesquisadores da música caipira, não apenas do Cururu. Em relação às suas incursões pelo ritmo, o paulista Luiz brinca: "Eu não sou curureiro de Piracicaba, mas nós estamos aqui quebrando o galho. O dom da coisa Deus deu foi para eles".

Os dois não são dupla sempre: tradicionalmente, Volmi Batista, que já foi Presidente do Clube do Violeiro de Brasília, faz dupla com Aparício Ribeiro. Luiz Faria é natural de Flórida Paulista, mas vive na cidade de Campinas há mais de 40 anos. Ele faz dupla com Silva Neto.


Os violeiros fizeram uma apresentação na qual mostraram músicas conhecidas e algumas improvisações feitas com a viola e os versos. Sobre a relação entre o Cururu e as festas religiosas, Volmi explica: "Os cantadores cantam homenageando os santos ou alguma divindade, como por exemplo a Carreira do Divino, mas o ritmo não é genuíno das festas".


Volmi explicou a diferença entre o Cururu Paulista e o Cururu do Mato Grosso. "Não se sabe qual é o Cururu original, a diferença é que o do Mato Grosso é um ritmo dançante e é feito com viola de cocho. Por meio das nossas pesquisas, nós acreditamos que o Cururu mato-grossense tem origem na Bahia, por ser dançante e percussivo. Já o Cururu Paulista tem origem indígena e é feito com viola. É uma modalidade de desafio e repente, na qual os cururueiros improvisam de acordo com o mote. Já houve um Cururu Paulista dançante, que era dançado sapateando", esclareceu.   

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