Elomar
Cultura Tradicional

Elomar

Elomar é cantor e compositor de óperas e canções, com raízes nas tradições ibéricas e árabes, que os portugueses levaram para o Nordeste brasileiro. A cultura dos menestréis e romanceiros.

Elomar é compositor e cantor com voz possante e com grande capacidade de expressar o conteúdo de suas canções e operetas. Nasceu na Bahia em 1937 e estudou arquitetura e música em Salvador.

Na década de 1960 e em 1973, gravou o disco Das Barrancas do Rio Gavião. No início dos anos 1980, passou a se dedicar mais à música do que à arquitetura. Construiu tempo para se dedicar a compor e a tocar em shows, feiras e praças as suas cantorias e seus autos, influenciados pela tradição ibérica e árabe, que a colonização portuguesa levou ao Nordeste brasileiro. Seu estilo de tocar violão exige frequentes alterações na afinação do instrumento e, também por isso, Elomar é conhecido no universo violeiro.

Desde 1975, tem se apresentado cantando solo ou com orquestras, quintetos, quartetos e outras formações sinfônicas. Em 1986, foi convidado para representar o Brasil no Festival Ibero-Americano na Alemanha. Ali, foi também convidado pelo governo a gravar o seu trabalho, que resultou no LP Dos Confins do Sertão, que recebeu um prêmio internacional da crítica alemã.


Além do cancioneiro, que conta com mais de 80 composições, Elomar é dono de uma extensa obra culta, com concertos, óperas, peças para violão solo, antífonas e galopes estradeiros. Esses são sinfonias concisas feitas em três movimentos, que sugerem ao ouvinte o percurso de um cavaleiro pelas estradas do sertão, alternado pelo ritmo do cavaleiro. A música imita o movimento do cavaleiro na estrada. Esses galopes estradeiros foram gestados pelo desejo do compositor de levar a música clássica às novas gerações.


O álbum Consertão é resultado de uma das parcerias com Arthur Moreira Lima, em 1982. Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, tem no repertório obras de Waldir Azevedo, Villa-Lobos e do próprio Elomar. Essa gravação teve participações especiais do saxofonista e clarinetista Paulo Moura e do violeiro Heraldo do Monte. 


A Fantasia Leiga para um Rio Seco é o primeiro registro sinfônico de Elomar. Inicia-se com uma "Incelença para a Terra que o Sol matou", e assim segue com a Tirana, Parcela, Contradança e Amarração. Essa obra foi gravada em 1981, com Lindenbergue Cardoso à frente da Orquestra Sinfônica da Bahia.

Gravou em 1990 o festejado disco Elomar em Concerto, acompanhado pelo Quarteto Bessler-Reis.

Figura lendária da música popular brasileira, sua meta é levar a ópera para o povo, que ele diferencia da massa de população consumidora dos produtos da indústria cultural. É através do dialeto sertanez e da figura do catingueiro, do habitante das caatingas, que ele canta as vicissitudes humanas. Avesso à exposição na mídia para divulgação do seu próprio trabalho, prefere a vida reclusa da fazenda, longe das grandes metrópoles, criando bodes e carneiros.

Sua ópera foge do padrão europeu. Ela opta pelo diálogo com as histórias do sertão, do sertanejo e de seus dramas. Cantando e compondo sobre as vidas frequentemente fadadas à desgraça da seca e da miséria, Elomar atribui novos valores à opera brasileira.

 

   

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