Inspirados no universo lúdico e poético popular brasileiro, desde 2002, o Grupo de Pífanos Flautins Matuá apresenta seus espetáculos e oficinas, utilizando o pífano, a percussividade, as danças brasileiras, a cenicidade e a interatividade com o público, como elementos centrais de suas criações artísticas.
Em sua trajetória, o grupo pesquisou e vivenciou danças, ritmos e os instrumentos tradicionais, com mestres da nossa cultura. Possuem 5 espetáculos: Cortejada/Espetáculo Fuá (apresentação de rua interativa); Fuá na Cidade (apresentação do CD para palco); Fuá Curumim (show infantil), Forró Pifado (um baile de forró pé-de-serra com músicas da tradição) e Na Pisada (novo espetáculo do grupo). Também duas oficinas culturais para crianças, jovens e adultos: Oficina de Construção de Pífanos e Vivência Musical e Corporal através da Cultura Popular.
Já se apresentaram e ministraram oficinas em festivais, centros culturais, teatros, praças e escolas em diversas regiões do Brasil e na Europa (França, Inglaterra e Itália). Foram contemplados por editais públicos (FICC e PROAC), com os quais realizaram eventos culturais, a gravação do CD, DVD e a montagem do espetáculo Fuá na Cidade.
Dividiram o palco com Chico César, Carlos Malta, Tião Carvalho, Pífanos de Caruaru, João do Pife, Irmãos Aniceto, Zé do Pife e as Juvelinas e L’Arrache Fanfarre (França).
Integrantes dos Flautins Matuá
Fernando Tocha – pífano e voz
João Arruda – viola caipira, charango, percussão e voz
Yandara Pimentel – zabumba, percussão e voz
Iago Tojal – contrabaixo, percussão, pífano e voz
Marcelo Falleiros – Violão, contrabaixo, cavaquinho, percussão e voz
Marina Reiter – percussão e voz
ENCONTRO DE CULTURAS
Sobre a participação do grupo no XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, pelo repórter do Encontro Vitor Santana:
Dizer que o Flautins Matuá é um grupo que apresenta músicas com influências de ritmos nordestinos não é suficiente para defini-los. Falar que são irreverentes no palco também não os caracteriza por completo. Mas, talvez, seja um bom começo para tentar explicar sua sonoridade e suas apresentações, já que a descontração é um dos elementos que alicerça a banda.
Há dez anos na estrada (na época da escrita deste texto, em 2012), o Grupo de Pífanos Flautins Matuá começou de maneira descompromissada, apenas como um encontro entre jovens que gostavam de ritmos nordestinos no gramado da Universidade de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo. A brincadeira iniciada por Carlos Valverde e João Arruda, que tomaram o pífano como ponto central, foi chamando a atenção de outras pessoas que tinham curiosidade sobre o instrumento e os ritmos que passavam por aquela pequena flauta.
À medida que os encontros iam ocorrendo, mais os frequentadores do gramado da Unicamp iam se interessando pelas histórias envolvendo o pífano. Com o objetivo comum de estudar estilos como coco, baião, maracatu e se dedicar ao aperfeiçoamento musical, os amigos resolveram formalizar encontros semanais para ensaios.
De uma brincadeira que chegava a contar com 20 pessoas, tocando, dançando e fazendo malabares ao ar livre, o processo foi se tornando cada vez mais sério. Espere: seriedade não é uma palavra que combina com o grupo. Melhor dizendo, a brincadeira exigia dedicação dos integrantes, mas sem perder o clima leve de suas origens.
Na noite da última segunda feira, 23 de julho de 2012, o público de São Jorge pôde perceber que os músicos ainda preservam toda a irreverência, brincadeiras e alto astral dos tempos da universidade, com um show que mistura música, dança, teatro e brincadeiras improvisadas, tudo anunciado ao estilo dos trovadores nordestinos. “A brincadeira sempre esteve junta. A gente, no começo, sempre foi um grupo de chão, fuá que a gente chama. Então, a gente toca e as pessoas dançam e nós tocarmos dançando. É algo meio natural, espontâneo”, contou Bel Isoldi, integrante do grupo.
OFICINA
A cultura popular não se aprende nos bancos de uma escola, com rigor e formalidade. Grande parte dessas tradições são passadas em vivências ou em contato direto com os mestres. Mesmo com todas as tecnologias da sociedade moderna, a oralidade ainda é o melhor e mais eficiente meio de transmissão do conhecimento.
Para transmitir um pouco dos ritmos e danças apresentados pelo grupo, os integrantes do Flautins Matuá ofereceram uma vivência musical na manhã seguinte ao show. “A gente foi pra França fazer um intercâmbio com uma fanfarra de lá. O Carlos Valverde, meu irmão, foi fazer um intercâmbio na França, conheceu uma turma de fanfarra e rolou esse intercâmbio pra gente. Eles vieram pra cá e fizeram alguns shows junto com a gente e depois nós fomos pra lá e fizemos vários shows e várias oficinas também. Na verdade, essa oficina, essa vivência que a gente faz é o que a gente busca fazer nos nossos ensaios: alongar, puxar, cantar um pouco, brincar um pouco para entrar em um estado legal para tocar”, contou João Arruda sobre a ideia de incorporar essas atividades, com o público, ao trabalho do grupo.
Reproduzindo a rotina de ensaio, os participantes caminharam pelo espaço vagarosamente, mexendo as articulações e alongando o corpo. Com todos bem despertos e dispostos, os músicos se revezavam nas instruções, passando noções de tempo, ritmo e intensidade, utilizando apenas as palmas e as batidas dos pés descalços no chão de madeira.
Com o corpo já aquecido e as noções de ritmo e intensidade na mente, era hora de dançar. Rabeca, zabumba, pandeiro e ganzá a postos, o coco e o cavalo marinho já podem começar. Para quem não conhecia os passos, uma rápida aula, contando também um pouco da história das festas nos quais são apresentados esses estilos. “Isso é legal, porque se tem a oportunidade de fazer a oficina e depois o show, a gente já passa alguns elementos a mais para a brincadeira ir mais adiante”, finalizou Bel Isoldi.