O Jongo do Quilombo São José, comunidade localizada na Serra da Beleza, município de Valença (RJ) se apresentou no VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2007.
Considerado um dos pais do samba e reconhecido pelo governo federal como patrimônio do Brasil, o Jongo é uma dança de origem afro-brasileira, nascida nas terras por onde andaram o café e os negros escravizados vindos da África.
Praticado desde a época da escravidão pelos moradores do quilombo como processo cultural lúdico, o jongo hoje traz visibilidade pública à comunidade de São José, tornando-se um significativo instrumento no processo de luta pela terra, enfrentado pelo quilombo.
A divulgação e fortalecimento das tradições contribui também para a elevação da auto-estima de seus moradores, valorizando a cultura negra antes marginalizada e vítima de preconceitos na própria região.
QUILOMBO SÃO JOSÉ
O Quilombo São José está a cerca de 15 quilômetros da sede do distrito de Santa Isabel do Rio Preto, no município de Valença, Vale do Paraíba, interior do Estado do Rio de Janeiro. É conhecido Brasil afora por sua tradicional Festa do Jongo, realizada em todo 13 de maio.
O trabalho em conjunto na agricultura de subsistência, a crença religiosa da umbanda e do catolicismo, a sabedoria das ervas medicinais, o artesanato tradicional, as benzeduras, o Calango, o Terço de São Gonçalo e o Jongo fazem parte do cotidiano dos moradores do quilombo desde a chegada dos seus antepassados naquela fazenda, por volta de 1850.
Todos os seus moradores são parentes, e até 2006 a comunidade não tinha luz elétrica. O ferro à brasa, o candeeiro e o fogão à lenha fazem parte do dia-a-dia. A comunidade atual é a sétima geração desde os primeiros negros escravizados comprados para trabalhar nas lavouras de café da Fazenda São José.
Com a abolição, os ex-escravizados construíram suas casas de adobe (tijolo de barro), cobertas de sapê, no alto da serra, à beira de um córrego. As gerações seguintes reforçaram os laços sanguíneos e de solidariedade. Viveram a crise do café e viram sua substituição pelo milho e depois pelo gado. Assim conseguiram permanecer, por mais de um século e meio, na mesma terra herdada por seus ancestrais.
Em 2015, o Quilombo São José da Serra conquistou a Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) do Incra. O território tradicional tem 476 hectares, onde vivem cerca de 200 pessoas, descendentes do casal Tertuliano e Miquelina e Pedro Cabinda e Militana, trazidos ao Brasil forçados, de Angola, para trabalharem como escravos nas plantações de café.
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CD - livro Jongo do Quilombo São José
Em outubro de 2004, foi gravado o CD Jongo do Quilombo São José, gravado dentro do próprio quilombo. O álbum vem acompanhado por um livro com fotos do fotógrafo Bruno Veiga e textos do músico e pesquisador Marcos André, do morador e líder do quilombo Toninho Canecão e da historiadora Hebe Mattos. Esta última é a responsável pela montagem da árvore genealógica da família de 200 negros, descobrindo sete gerações do grupo até 1850, quando o ancestral africano, trazido de Angola como escravo, chegou ao país.