O grupo La Fanfarria é Patrimônio Cultural de Medellin, na Colômbia. Foi criado com o intuito de levar cultura ao público e também preservar a tradição dos bonecos. O trio, formado por Ana Maria Ochoa, Jorge Pérez e Ernesto Aguilar, foi nomeado Embaixador da Cultura Colombiana. Mais que um grupo de teatro, o La Fanfarria também é um multiplicador da cultura, promovendo vários eventos em sua sede própria, com capacidade para mais de 200 espectadores, realizando uma média de 150 apresentações por ano.
"Um dia fomos picados por algo que colocou a arte dos bonecos em nosso sangue. Estudávamos primeiro na universidade, mas preferimos a arte à academia, ainda que a formação seja importante e estudo e conhecimento nunca sejam demais", declarou Jorge. "Nosso interesse é estar constantemente atualizado sobre as experiências dos seres humanos em nosso país, mas o resto do mundo não nos é indiferente", concluiu Ana Maria.
La Fanfarria criou um estilo próprio de dramaturgia, assim como são autênticos os modelos dos bonecos, os figurinos e as músicas. A atuação na gestão administrativa e nas demais exigências do Grupo também é de responsabilidade dos próprios membros. Criados em 1972, a Companhia possui sede estável e mantém uma programação permanente voltada para instituições educativas e para o público em geral. A sede atual pertence à própria Corporação.
LA FANFARRIA NO ENCONTRO DE CULTURAS
Em 2010, o grupo colombiano La Fanfarria, que já havia se apresentado na Aldeia Multiétnica do X Encontro de Culturas, mostrou uma lenda indígena de seu país, Huevo de picaflor, ou, em português, Ovo de Beija-flor, atrás da "empanada" do grupo colombiano, local onde os manipuladores se escondem, deixando aparecer só os bonecos.
Com bonecos de manipulação direta e também bonecos de vara bem articulados, La Fanfarria contou a saga de um herói indígena, Beija-flor, em busca de sua amada, raptada por um espírito do mal. Para derrotá-lo, Beija-flor contava com a sabedoria que seu pai lhe ensinou e também a que os espíritos da floresta lhe passaram.
SOB A TENDA DO CIRCO
As três arquibancadas do circo foram insuficientes para comportar todo o público presente para o espetáculo. A única luz que se via era a que iluminava o local da apresentação. Os barulhos da selva, que saíam das caixas de som, foram acalmando os ânimos das pessoas, deixando a tenda em silêncio. As mais variadas gerações se uniram para acompanhar o surgimento do cenário, que subia aos poucos através do pano.
A narrativa da história, que oscilava entre momentos de seriedade e momentos engraçados, levava o publico às palmas, gargalhadas ou à concentração total. Segundo o grupo, cada apresentação é um aprendizado novo. "É ainda mais complicado fazer teatro sem ver o público. Ficamos sempre atrás do pano e não vemos as reações, então temos que ficar muito atentos a todos os sons da plateia", comentou Ernesto.
Mesmo não falando português, o grupo tentou deixar o teatro o mais visual possível, abusando dos movimentos dos bonecos. Nos poucos dias de convivência em São Jorge, o grupo buscou aprender algumas palavras para usarem em sua apresentação, o que facilitou ainda mais a compreensão das pessoas.
"Eu achei muito legal, muito divertido, deu pra entender tudo, a mensagem que eles quiseram passar pra gente, o trabalho deles. Enfim, foi realmente muito bom", afirmou Adrieli Mariana Silva.
"É tão criativo você ver três pessoas, num lugar tão simples, com tão pouca coisa, fazer um espetáculo tão grande como esse, com cores, com ritmo, com enredo, mostrando uma cultura que já está se perdendo, que é a cultura indígena. Foi fantástico, perfeito, não faltou nada", disse Doroty Marques.
Para montar essa peça, o grupo fez um longo trabalho de estudo sobre a cultura e tradições indígenas do seu povo, por meio de vídeos, livros, pesquisas na internet e consulta a estudiosos, pois o contato com os indígenas era extremamente complicado, cheio de barreiras. O X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros foi a primeira apresentação do La Fanfarria para uma comunidade indígena, tendo uma boa recepção do público e gerando grande felicidade aos manipuladores.