Mundaréu
Cultura Tradicional

Mundaréu

Nas apresentações do Mundaréu fica nítida a influência da cultura popular brasileira, tanto nos ritmos musicais, danças e poesias quanto nos adereços e fantasias. A fusão de todos esses elementos no palco é oferecida ao público em uma mistura de sensações.

O grupo Mundaréu, formado por Itaercio Rocha, Melina Mulazani e Thayana Barbosa, surgiu com a vontade de despertar o imaginário do público. Como os fundadores sabiam que esta não era uma tarefa fácil, estavam dispostos a utilizar a arte em suas diversas formas de expressão.

A miscelânea que o Mundaréu utiliza nas apresentações parece uma bem sucedida receita de bolo: um pouco de música, uma pitada de teatro, duas medidas de dança, uma xícara cheia de bonecos e, como cobertura, uma festa de elementos visuais.

Catira, frevo, maracatu, lundu, fandango paranaense, coco pernambucano, afoxé africano, cacuriá maranhense e terno de congo de várias regiões do Brasil foram apenas alguns dos ritmos marcados pela apresentação do grupo Mundaréu no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2010.


Boa parte das letras do Mundaréu é autoral. Recursos da cultura do povo brasileiro são usados a todo o momento. "A gente vive essa questão da mistura de uma maneira exaustiva, não é uma ideia minha nem nada, é só um jeito de ser do grupo", diz Itaércio, justificando a identidade musical do grupo. Sobre a miscelânea de ritmos, ele completa que "não tem alternativa, a não ser misturar bombacha com tamanco de fandango".

HISTÓRIA

O grupo Mundaréu foi criado em 1997 por Itaercio Rocha, Melina Mulazani e Thayana Barbosa. Um ano depois, o grupo apresentou seu primeiro show, Cutuca Rapaziada. Em seguida, montou o Guarnicê, uma singela opereta popular baseada nas formas de Bumba-Meu-Boi. Desse trabalho nasceu o primeiro CD do grupo.


Ao todo, o grupo gravou três CDs - Guarnicê, Embala Eu e Cortejo Natalino - e um DVD intitulado As Aventuras de uma Viúva Alucinada. O Cortejo Natalino é outro espetáculo musical com bonecos colocados na cabeça dos artistas, que interagem com a platéia. O repertório do grupo já privilegiou também o compositor João do Vale com o espetáculo No Pé do Lajêro, que une as belas canções de João com os bonecos de vara.

A atual proposta do grupo é o Espaço Cultural Terreirão do Mundaréu. O espaço é dedicado à cultura popular brasileira e tem a função de ser uma base para as futuras criações, além de um apoio para grupos e pesquisadores. 


EXPERIMENTOS

O Mundaréu costuma deixar um pouco de sua arte nas cidades em que passa, por meio de oficinas. E com o projeto Cambaê, músicas de tradição oral recolhidas em suas viagens, o grupo montou o espetáculo Embala Eu, gravando ao vivo o seu segundo CD. Essa troca de experiências resultou ainda no musical infantil Bambaê da bicharada.

O espetáculo, que originou o DVD As Aventuras de Uma Viúva Alucinada, uma comédia para ser apresentada a céu aberto, foi contemplado no Prêmio de Teatro Myriam Muniz em 2009.

PROCESSO CRIATIVO


Bonecos, adereços e fantasias são importantes ingredientes sobre o imaginário cultural que o grupo leva em suas andanças em shows e espetáculos. Eles têm orgulho do processo criativo que compõem essa 'salada' da cultura brasileira.

"Tem coisas que eu trago comigo, que posso transformar em música a qualquer momento", conta Melina, sobre o que aprendeu nos anos de existência do grupo, com viagens de pesquisa.

Já Itaércio enaltece também as várias pesquisas empíricas e a abertura que o grupo dá a novos elementos culturais. "A gente busca o contato com as manifestações em vários pontos do Brasil e, com isso, participamos da festa", diz. 

Unidos de cores, ritmos e movimentos, o grupo tem orgulho de ser o que é.


JABUTI

"Eu sou, eu sou, eu sou


Eu sou Jacaré poiô


Sacode o rabo jacaré,


sacode o rabo"

"To saindo,


To entrando"

Aí cumpade,

Chegadinho, chegadinho



   

Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. Direitos reservados.