Naná Vasconcelos
Cultura Tradicional

Naná Vasconcelos

Juvenal de Holanda Vasconcelos, conhecido como Naná Vasconcelos, nasceu no Recife. Faleceu em março de 2016, aos 71 anos, também na capital pernambucana. Mesmo depois de duas décadas tocando pelo mundo, morou em Paris e Nova York, as influências de sua terra estavam presentes em tudo o que fazia. Dotado de uma curiosidade intensa, indo da música erudita do brasileiro Villa-Lobos ao roqueiro Jimi Hendrix, Naná aprendeu a tocar praticamente todos os instrumentos de percussão, embora nos anos 1960 tenha se especializado no berimbau.

Juvenal de Holanda Vasconcelos, conhecido como Naná Vasconcelos, nasceu no Recife. Faleceu em março de 2016, aos 71 anos, também na capital pernambucana. Mesmo depois de duas décadas tocando pelo mundo, morou em Paris e Nova York, as influências de sua terra estavam presentes em tudo o que fazia. Dotado de uma curiosidade intensa, indo da música erudita do brasileiro Villa-Lobos ao roqueiro Jimi Hendrix, Naná aprendeu a tocar praticamente todos os instrumentos de percussão, embora nos anos 1960 tenha se especializado no berimbau. 

Ao longo da carreira, foi eleito oito vezes como "melhor percussionista do mundo" pela revista especializada Down Beat.


Depois das mais variadas experiências musicais, Naná Vasconcelos mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar com Milton Nascimento. Em 1970, o saxofonista argentino Gato Barbieri o convidou para juntar-se ao seu grupo. Apresentaram-se em Nova York e Europa, com destaque para o festival de Montreaux, na Suíça, onde o percussionista encantou público e crítica. Ao término da turnê, fixou residência em Paris durante cinco anos, onde gravou o seu primeiro álbum, Africadeus (1971).


No ano seguinte, em 1972, já no Brasil, Naná gravou o seu segundo disco, Amazonas. Começou, então, uma bem-sucedida parceria com o pianista e compositor Egberto Gismonti, durante oito anos, que resultou em três álbuns: Dança das CabeçasSol do Meio-Dia e Duas Vozes

De volta a Nova York, formou o grupo Codona, com Don Cherry e Colin Walcott, também gravando e fazendo turnê com a banda do guitarrista Pat Metheny. Trabalhando com artistas das mais variadas tendências, Naná Vasconcelos gravou com B.B. King, com o violonista francês  Jean-Luc Ponty e com o grupo de rock americano Talking Heads, liderado por David Byrne.

Em 1986, de volta ao Brasil depois de dez anos no exterior, fez turnê recebida com entusiasmo pelo público. Nessa altura, já havia trabalhado nas trilhas dos filmes Procura-se Susan Desesperadamente, de Susan Seidelman, estrelado por Rosanna Arquette e Madonna, e Down By Law, do cultuado diretor Jim Jarmusch, além de Amazonas, de Mika Kaurismäki.


Nos anos 1980, gravou o disco Saudades, um concerto de berimbau e orquestra. Depois, vieram os álbuns Bush Dance e Rain Dance, suas experiências com instrumentos eletrônicos. Daí por diante, esteve envolvido mais diretamente com o cenário musical brasileiro ao fazer a direção artística do festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan), em Salvador, e do projeto ABC Musical, além de participações especiais em álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros. 

Em meio a inúmeros lançamentos fora do país, Naná Vasconcelos lanço no Brasil o disco Contando Estórias, em 1994, depois os CDs Contaminação e Minha Lôa. No fim de 2005, lançou Chegada, pela gravadora  Azul Music, e em 2006, o CD Trilhas. Em vida, Naná também idealizou o projeto ABC das Artes Flor do Mangue, trabalho com crianças em situação de vulnerabilidade social, em Pernambuco.


Mais três discos compõem sua extensa discografia: Sementeira (2010), com Caito Marcondes, Marcos Suzano e Coração Quiáltera; Sinfonia & Batuques (2011) e Café no Bule, de 2015, com Zeca Baleiro e Paulo Lepetit.


Participou do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2005 e 2014, com apresentações e oficinas.

O trabalho de Naná sempre demonstrou a amplitude do seu talento. Em tudo o que fazia havia ritmo, era a música em seu estado mais puro. Uma trajetória de vida que esbanja virtuosismo musical e integridade pessoal em tudo o que fez e tocou. 


   

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