Nascida em Brasília, a cantora e percussionista Nãnan Matos carrega o pulsar criativo da diversidade cultural afro-brasileira e traz para o seu repertório fundamentos adquiridos na sua pesquisa sobre a cultura do Oeste Africano, além da música popular regional brasileira, o afro-beat e o funk, principais estilos musicais pesquisados pela artista.
Em 2012, Nãnan fundou em Brasília o grupo informal de estudos, performances e ativismo sócio-político, batizado de Foli Ayê, que em malinké significa “Ritmo da Vida”. O grupo dedica-se à promoção da cultura negra e fortalecimento da ponte África-Brasil, abordando de forma engajada as práticas artísticas do Oeste Africano. Entre os grupos nacionais que realizam a pesquisa, o grupo é o mais antigo representante do Centro Oeste brasileiro, o que atribui a ele importante papel de mantenedor de um acervo cultural milenar. Como agente intermediador dos mestres e professores no Brasil e África, já produziu workshops de grandes personalidades consagradas.
Como missão, Foli Ayê leva um novo olhar para se educar, cultuar e transcender, que nos convoca a saber e a dançar tanto a nossa ancestralidade quanto o nosso próprio tempo.
Em seu repertório, Nãnan Matos pesquisa músicas de raiz, mas sua interpretação é contemporânea, autêntica, traz temas atuais para as suas performances ricas em tambores, danças, cantos étnicos e novas composições. Além de cantora, Nãnan é arte-educadora e desenvolve trabalhos de pesquisas e práticas musicais no Distrito Federal. A experiência e formação artística a fez especializar-se em música tradicional africana e afro-brasileira. Desde 2012, oferece à comunidade de artistas, pesquisadores e interessados uma formação pontual e continuada de dança, canto e percussão, no Plano Piloto e Entorno. Nãnan já apresentou suas atividades e de seu grupo Foli Ayê em mais de dez estado brasileiros, além de Nova Iorque.
A artista tem como referência as damas do jazz brasileiro; compositores como Moacir Santos, Luiz Melodia, Naná Vasconcelos, Martinho da Vila e Jovelina Pérola Negra; os cantadores e mestres da capoeira, do samba de roda, do côco, do maracatu, do afoxé pernambucano e da diversidade musical brasileira; e renomados percussionistas internacionais da música africana, como Famoudou Konatê, Bolokada Condé, Soungalo Colibally, Salif Keita, Mamady Keita e Bangaly Konatê.
Criada em um ambiente profícuo ao desenvolvimento de suas habilidades artísticas, desenvolve atividades junto à sua família no Instituto Comunidade Praia Verde, que realiza ações socioculturais voltadas à comunidade e projetos sobre a cultura de matriz africana.
A artista trabalha intensamente para fortalecer a ponte África-Brasil. Foi contemplada no edital de Intercâmbio Cultural e ganhou, em 2012, o prêmio para Agentes Jovens de Cultura (MinC) e conquistou o prêmio de melhor intérprete no Festival de Música da Universidade de Brasília FINCA/FLAAC, na categoria AfroCandangoLatinoBrasileiro. Em 2013, venceu, na categoria de júri popular, o prêmio Tom Jobim de Música Brasileira, realizado pelo SESC-DF. Em 2014, foi idealizadora, diretora musical e atriz no Musical Tradição Viva, contemplado no edital de Montagem de Espetáculos do Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal.
Em 2015, apresentou o seu show Ma Binu, no Réveillon da Prainha. Participou como artista do Revezamento da Tocha Olímpica - Rio 2016, contratada pela Nissan. No mesmo ano, foi convidada para participar do Festival Batida Afro, ocorrido no CCBB - Brasília, integrando a programação junto ao Metá-Metá, João Donato e Emicida. Oferece aulas de dança e percussão do Oeste Africano na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília. Com a potencialidade de sua criação, multiplica o seu conhecimento por meio de oficinas e atividades culturais, mantendo viva a sua ancestralidade.
Participou do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2018.