A tradição do Nego Fugido surgiu pouco depois da libertação dos escravos, no fim do século XIX e estende-se até os dias de hoje. Acontece aos domingos do mês de julho.
Essa expressão cultural começou em Acupe, distrito de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, um dos principais cenários escravocratas da Bahia. Acupe é uma região formada em sua grande maioria por descendentes de escravos, que preservam a tradição anualmente. Os participantes pintam os rostos com pasta de carvão e mascam papel vermelho ou usam tinta vermelha para acentuar o contraste, e saem pelas ruas da cidade, encenando a sua visão sobre a libertação da escravidão e sua luta contra ela
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As apresentações incluem personagens como o capitão do mato, o senhor de engenho e o rei, além dos negros escravizados. Tudo começa com a fuga dos negros, passando para a caçada, luta e prisão dos mesmos pelo capitão do mato, o pedido de dinheiro ao público para o pagamento da alforria e o encontro com o rei e o senhor de engenho, Tudo isso ao ritmo dos atabaques.
Essa manifestação cultural passou por um período de quase esquecimento, com apresentações esporádicas entre as décadas de 1970 e 1980. Porém, ressurgiu com força total em 1987, por iniciativa de Florisvaldo Lima de Paiva, com a participação de Valdeci Santana dos Santos e Edna Bulcão, que fizeram um resgate oral da tradição, devolvendo-a às ruas. Além de uma manifestação cultural, o Nego Fugido é uma maneira de deixar sempre presente a história do negro na região, valorizando o a identidade cultural do povo de Acupe.
O grupo tradicional participou do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2010.