O grupo Pássaros Tangará, da cidade de Tangará da Serra, no Mato Grosso, participou do XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2012, para apresentar duas danças tradicionais do estado: o siriri e o cururu.
O grupo foi criado junto com a Associação Folclórica de Tangará da Serra, com a premissa de divulgar e promover as manifestações tradicionais do estado. A associação também atua na divulgação de representações indígenas, afrodescendentes e outras culturas existentes no município.
O grupo de dança se constitui como um grupo de siriri, dança típica da região cuiabana, mas que não possuía grande força na região Norte do estado, onde está a cidade de Tangará da Serra. O siriri é executado em pares: as mulheres com longas saias rodadas e floridas, e os homens com pés descalços, vestindo camisas azuis, calças amarelas e chapéus de palha.
Além dos shows, os integrantes também realizam um trabalho que consiste em ensinar a cultura a outras pessoas, perpetuando as lendas e festejos. Assim, há uma qualificação dos componentes e da comunidade em geral através de oficinas para a confecção dos instrumentos, figuras folclóricas que fazem parte do espetáculo, além de ensaios para os corais e apresentações de dança.
O cururu também é uma das tradições apresentadas pelo grupo, com os homens entoando cantos de louvor à Virgem Maria. Outros temas abordados são a cultura negra, a religiosidade e figuras lendárias da região, como a Mãe do Morro, Minhocão e Boi-a-serra.
CURURU
O cururu pode ser definido como um canto de repente que obedece certas regras de construção para atuar dentro de um ritual de cunho religioso, formando, assim, uma história cantada que norteia determinada festa tradicionalmente em louvor a algum santo.
Os cururueiros são geralmente do sexo masculino. Dançam organizados em duplas, cada qual com seu instrumento: a viola-de-cocho ou o ganzá. Ambos cantam simultaneamente. Um canta por baixo, fazendo a primeira voz, em tom mais baixo. O companheiro canta por cima, ajudando ou fazendo a segunda voz. Às vezes, esta voz é mais importante que a primeira. Dependendo da zoada - o som, o tom, o barulho da viola, do ganzá ou da voz do cantador – dos cantadores, ela se sobressai porque é mais alta.
Todos os movimentos e cantos têm significados regionais. Os versos e as toadas são inspirados por diversos temas, que trazem significados religiosos, amorosos, exaltações à natureza e até mesmo ao próprio cururu.
SIRIRI
Já o siriri é uma expressão que se baseia em brincadeiras indígenas e com ritmo e expressão hispano-lusitanas. Antigamente, o momento da roda de siriri funcionava como intervalo de descanso para o cururueiros.
No momento do siriri, todos podem participar: homens, mulheres e crianças. Cantam e dançam em roda ou em fileiras formadas em pares. As mulheres rodam suas saias e todos batem palmas e os pés no chão. Acredita-se que o siriri tenha sido criado pelas mulheres dos cantadores do cururu, que na impossibilidade de participar das brincadeiras criaram a tal dança para também poderem se divertir.
Os quintais das casas eram, na maioria das vezes, os espaços onde aconteciam os festejos. Eles exerciam o papel de palcos e até mesmo de altares para essas manifestações duais entre o sagrado e o profano. Neste cenário, a tradição se perpetuava e, assim, era transmitida de pai para filho.
A festa pode ser para Santo Antônio, São Gonçalo, São João, São Pedro, Senhor Divino, Santo Benedito ou qualquer outro santo. Quem define é o dono da casa, que realiza a festa, celebrando o seu santo de devoção.
O ouro foi o grande atrativo para que os povos de diversas regiões do Brasil e até de outros países migrassem no início do século XVIII para a antiga Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuyabá, a hoje Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso. Junto aos bandeirantes e jesuítas, grupos indígenas, mamelucos e negros serviram de mão-de-obra escrava àqueles que se consolidavam no território.
Esta diversidade cultural é a responsável pela grande quantidade de expressões folclóricas nas roupas, no linguajar puxado e no jeito característico de cantar e dançar o cururu e o siriri. Acredita-se que o cururu e o siriri sejam tão antigos quanto Cuiabá.