Pelé da Bomba
Cultura Tradicional

Pelé da Bomba

Natalício Neves da Silva, mais conhecido como Mestre Pelé da Bomba, nasceu em 1934, em Cipuá, distrito de Governador Mangabeira, no Recôncavo Baiano. A partir de 1946, começou a praticar capoeira. Foi discípulo de Mestre Bugalho, com quem aprendeu nas rodas que aconteciam no Mercado Modelo Velho, em Salvador (BA).

Natalício Neves da Silva, mais conhecido como Mestre Pelé da Bomba, nasceu em 1934, em Cipuá, distrito de Governador Mangabeira, no Recôncavo Baiano. A partir de 1946, começou a praticar capoeira. Foi discípulo de Mestre Bugalho, com quem aprendeu nas rodas que aconteciam no Mercado Modelo Velho, em Salvador (BA). Ao longo do tempo, praticou também com outros mestres e parceiros, principalmente nas chamadas festas de largo, as festas religiosas tradicionais que ocorrem no coração da cidade baixa da capital da Bahia.

O apelido vem da junção de dois fatos: Natalício é tão bom na capoeira que começou a ser chamado de Pelé (referência máxima do futebol) da Capoeira; e Bomba veio devido à passagem do mestre pelo Corpo de Bombeiros, onde deu aulas de capoeira por um tempo. 

Também atende como Mestre Gogó de Ouro, sinônimo de afinação e boa voz. Já lançou CDs de samba de roda, samba de viola e de capoeira. Também escreveu um autobiografia: Natalício Neves da Silva: O Pelé da Capoeira.


ENCONTRO DE MESTRES

O ritmo era dado pelo berimbau, seguido pelo pandeiro e atabaque. Quatro mestres puxavam uma roda com cerca de 30 capoeiristas. Experiência e vontade de aprender se misturavam e se completavam nas manhãs de oficinas do II Encontro de Capoeira Angola, no IX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2009. Homens e mulheres; novatos, experientes e espectadores se renderam à magia dessa arte, que por muito tempo sofreu grande preconceito. Diferente da capoeira regional, a capoeira angola é mais lenta, com golpes mais baixos, próximos ao solo e cheios de malícia.

Os quatro mestres presentes, Mestre Cobra Mansa, Pelé da Bomba, Sabú e Vermelho, se revezaram nos instrumentos e nos cantos. As músicas, com temas gerais, temas da vida, eram muitas vezes feitas na hora, de improviso, dependendo de acontecimentos da roda. Mestre Pelé da Bomba puxou músicas a partir de causos contados por ele.

Mestre Sabú, vestido impecavelmente com um terno branco, camisa vermelha, gravata, chapéu e um broche de rosa na lapela, foi um dos mestres participantes do encontro. Afirma que não começou direto na capoeira, pois ela era marginalizada devido ao ritmo que lembra muito os rituais do candomblé.

Pela primeira vez no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, Mestre Sabú, que na época estava no auge de seus 70 anos esbanjando vitalidade e dançando nos sambas de roda, afirma que encontros como esses são de extrema importância. "A capoeira é uma riqueza nossa, e, sendo assim, todos devem unir forças para criar uma resistência, manter a capoeira sempre viva", reforça.

Nos três dias de oficinas e apresentações, o berimbau podia ser ouvido à distância, acompanhado pelas vozes dos que ali estavam presentes.

Mestre Cobra Mansa jogou capoeira com alguns capoeiristas da roda, mostrando um pouco de suas habilidades. Ele está sempre com um sorriso no rosto e muita malícia em sua ginga. Dedica-se à capoeira desde os quatorze anos: "A capoeira me deu tudo que eu tenho, então eu só tenho que agradecer, sorrir e deixar a capoeira me levar", conta. O mestre, na época com 49 anos, fez coisas na roda que muitos jovens de 20 anos nem pensam em conseguir. "Toda a energia vem das próprias pessoas. Quando eu entro na roda, existe uma energia muito grande nas pessoas, no canto, no ritmo, no berimbau", conta.


SAMBA DE RODA

Para finalizar o II Encontro de Capoeira Angola, Mestre Pelé da Bomba puxou um samba de roda com a presença de convidados como Mestre Vermelho e Mestre Sabú e o percussionista Abu Bakr.

O ritmo movimentou a todos que estavam presentes.

Mesmo aqueles que não sabiam dançar arriscaram alguns passos. Alegre com a receptividade do público, Mestre Pelé da Bomba disse, em tom de brincadeira: "eu não imaginava que vocês sambassem tanto. Eu achei que só eu sambava assim".


   

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