Renata Rosa
Cultura Tradicional

Renata Rosa

Renata Rosa é paulista radicada em Pernambuco. Além de cantora é atriz, compositora, poetisa, rabequeira e pesquisadora. Seu trabalho é aprofundado em pesquisas culturais e sonoras nos estados de Pernambuco e Alagoas. Em sua discografia estão os álbuns "Zunido da Mata" (2002), "Manto dos Sonhos" (2008) e "Encantações" (2015). Já se apresentou em países como Estados Unidos, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Suíça e Dinamarca.

Renata Rosa já participou de projetos como o Maracatu de Baque Solto Estrela de Ouro de Aliança, de Pernambuco. Como atriz, fez sua estreia na televisão em 2007, na minissérie A Pedra do Reino, inspirada na obra Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna, na qual interpretou a personagem Maria Safira e também compôs e dirigiu os coros.

Renata é paulista, mas suas raízes musicais estão em Pernambuco. "A minha transição de São Paulo para Pernambuco foi gradual, mas nem tanto. Porque eu nasci no Brás, que já tem um universo muito nordestino. A minha família vem do norte de Minas. Sempre tive um contato grande com a cultura nordestina, principalmente o sertanejo".

Conhecida por sua voz sinuosa e cristalina, a cantora tem um apurado sentido de interpretação e, graças a seu primor cênico, é uma das artistas de maior reconhecimento fora do país, principalmente na Europa. A rabeca é o eixo de sua obra, que foge aos limites brasileiros e se afirma na ancestralidade ibérica, o que confere universalidade a suas canções.

O interesse em conhecer mais sobre os ritmos tradicionais veio quando a cantora conheceu Tchyj Kariri-Xocó, de Alagoas, que esteve presente na IV Aldeia Multiétnica. Foi a partir desse contato que a cantora estabeleceu uma proximidade maior com os cantos indígenas e interioranos. "Alagoas foi a minha influência primeira. Eu me familiarizei com a música de lá muito rápido, aquilo ressonava em mim. Eu gostava daquele canto sinuoso, de ficar passeando pelas notas, de ter uma ação no mundo", revelou.

No campo da pesquisa, Renata Rosa investiga a cultura e a sonoridade das comunidades indígenas e do interior de Pernambuco e Alagoas. Os resultados dessa atividade recaem sobre a criação artística da cantora, sendo responsável por uma grande parcela de sua originalidade vocal. "Essa pesquisa vem dessa vivência com a cultura indígena, dentro da aldeia Kariri-Xocó, de trabalhar diferentes vozes dentro da música", explicou.

Após este convívio, Renata começou a criar algumas coisas, mesmo morando em São Paulo, onde conheceu o grupo Mestre Ambrósio. "Tinha muita gente da minha idade que estava criando a partir da música tradicional, eu me sentia sem referências em São Paulo, eu sempre tive uma vivência muito grande com a cultura do interior, de virar noites cantando. Em São Paulo isso já não é muito forte", contou.


Seu trabalho é aprofundado em pesquisas culturais e sonoras nos estados de Pernambuco e Alagoas. Os cantos das rodas de coco, de maracatu rural tradicional e do cavalo marinho foram temas de suas investigações.

Diversas de suas canções não têm registro de direito autoral, são de domínio público, pois representam o canto do povo. 

Em sua discografia estão os álbuns Zunido da Mata (2002), Manto dos Sonhos (2008) e Encantações (2015). "O Zunido foi feito em um momento que eu estava sentido um orgulho muito grande. Não é um som, não é um canto, é um zunido daquela mata que eu estava conhecendo. O Manto veio quando eu comecei a criar um diálogo maior entre tudo o que eu estava vivendo no interior, além disso, eu tinha acabado de terminar uma minissérie que me influenciou muito".

A minissérie à qual Renata se refere é A Pedra do Reino, na qual deu vida à personagem Maria Safira. "Eu adiei o segundo disco pra fazer a minissérie. O patrocínio da Petrobras para o álbum saiu e logo eu recebi o convite. Entrei com um requerimento para adiar as gravações". Para fazer o trabalho, a cantora ficou quatro meses e meio na cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. "Eu sempre me lembro das palavras da Fernanda Montenegro, na primeira conferência da minissérie, ela dizia que para a gente o trabalho não tem aquele significado do sacrifício, nosso ofício é a nossa fé. O trabalho do ator é o trabalho da loucura, mas da loucura criativa".

Sobre a influência da ancestralidade ibérica no seu trabalho, a cantora esclarece: "Eu não acho que seja uma influência ibérica direta na minha música, eu acredito que a música brasileira carrega muito da música ibérica. As rabecas, as violas, vieram da península ibérica. Essa mistura de culturas e ritmos já existe há muito tempo".


Em 2004, Zunido da Mata foi eleito o Melhor Disco de Música do Mundo, pelo Le Monde e o Le Monde de La Musique. Foi o único álbum na história da música brasileira a receber o importante prêmio.

ENCONTRO DE CULTURAS

Renata Rosa participou do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2010.

Luzes vermelhas anunciavam a chegada da cantora Renata Rosa, que adentrou o palco para encerrar a primeira noite do X Encontro de Culturas na Vila de São Jorge. Acompanhada por quatro músicos afiados, a rabequeira passeou por vários ritmos tradicionais e mostrou uma enorme potencialidade vocal. Homenageando o índio Tchyj, da etnia Kariri-Xocó, Renata cantou músicas de seus dois álbuns: o Zunido da Mata, de 2002 e o Manto dos Sonhos, de 2008.

A quadra da escola de São Jorge, onde foi montado o palco do Encontro, logo estava lotada. Em um show imerso em teatralidade, a cantora deixou o público maravilhado com sua desenvoltura. Exímia musicista, mostrou suas habilidades na rabeca e nas maracas, enquanto sua banda tocava outros instrumentos e a ajudava a fazer um jogo de polifonias vocais. Entremeando os sons que norteiam sua obra, a performance de Renata incluiu ritmos como coco, forró tradicional, cantos indígenas e interioranos, rezas, inspirações celestiais, místicas e ciranda.

Um dos momentos de maior destaque da apresentação foi quando a cantora e seus músicos desceram do palco e se juntaram à plateia. O mineiro de Ana Araújo, a caixa de Mourão, as matracas de Hugo Lins e o pandeiro de Pepê se juntaram às maracas e à voz aguda de Renata Rosa. Durante todo o show, os músicos trocavam de instrumentos repetidamente, trazendo mais diversidade para as canções.

*texto e entrevistas cedidos à repórter do Encontro de Culturas em 2010, Giovanna Beltrão.

   

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