Roberto Corrêa nasceu em 1957, em Campina Verde (MG). Ainda jovem, mudou-se para Brasília para estudar física e descobriu seu destino: a música.
Fascinado pela viola caipira e pela viola de cocho, dedicou-se a explorar seus mistérios e a expandir seus limites.
Hoje, é um dos mais importantes violeiros do Brasil. Sua atuação foi fundamental para o desenvolvimento do potencial de solista da viola. Instrumentista virtuose, compositor e pesquisador, Roberto Corrêa é reconhecido por seu talento e dedicação.
Sua discografia mostra a diversidade de sua expressão criativa, suas pesquisas são referenciais no universo da viola, e suas performances levam a viola caipira e a viola de cocho a diferentes palcos pelo mundo.
COMPOSITOR
O compositor Roberto Corrêa alia a técnica estudada com afinco a uma crença nos mistérios da criação e no violeiro ancestral que acredita viver dentro de si.
Roberto apostou no potencial solista das violas caipira e de cocho e, na década de 1980, passou a compor para estes instrumentos, explorando suas sonoridades e peculiaridades técnicas. Em 1994, lançou o CD Uróboro, um de seus principais trabalhos, com 21 de suas composições para viola solo.
Além das composições que estão em seus discos, já ilustrou com sua música – tão caipira quanto contemporânea e erudita – peças levadas ao palco, trilhas para o cinema e narrativas jornalísticas em televisão. Por todas elas, tem grande carinho, e sente-se grato pelos desafios técnicos que lhe impuseram. Com elas, contribui para a formação do repertório da viola.
Obras de referência: os álbuns Uróboro e Temperança e o livro Roberto Correa - composições para viola caipira.
INTÉRPRETE
Roberto Corrêa sempre teve o compromisso de apresentar a viola como instrumento solista. Cumprindo seu ideal, tornou-se mais que compositor e arranjador: é um instrumentista que explora os potenciais da viola caipira e da viola de cocho. Considerado um virtuose da viola, ele se destaca no cenário da música instrumental brasileira, ampliando a visibilidade para o instrumento.
Com atuações bastante diversificadas, ele já desenvolveu trabalhos solo, com orquestras, em parceria com outros artistas - como o rabequeiro Siba e os violeiros Paulo Freire e Badia Medeiros -, e em duos de voz e viola, com as cantoras Inezita Barroso e Ely Camargo.
A força da cultura do sertão sobe ao palco com o violeiro em suas músicas, conversas sobre o instrumento e causos que conta. Ele cultiva a ternura do que considera um momento especial: as sensações que começam no imaginário e se solidificam do palco para a plateia, da plateia para o palco.
Obras de referência: os álbuns Crisálida, Extremosa-rosa e Mestres do Rasqueado e o DVD Orquestra do Estado do Mato Grosso.
PESQUISADOR
O interesse de Roberto Corrêa pela pesquisa vem do início de sua carreira. É a busca de sua tradição, seu passado e ancestralidade. Em uma harmonia de personagens difíceis de serem separados, violeiro e pesquisador encontram, juntos, novas antigas referências para a música.
Já em seu primeiro livro, Viola Caipira, Roberto compartilha conhecimentos adquiridos em suas pesquisas de campo sobre o violeiro e o imaginário relacionado ao instrumento. Em 1998, lança, pelo seu selo, a série Cultura Popular Viola Corrêa, com documentos sonoros gravados junto a grupos populares.
Ao divulgar os frutos de sua pesquisa, abre um canal de contato e valorização da cultura interiorana. E faz isso com enorme respeito e reverência às tradições e seus representantes. Afinal, a busca desse passado comum é movida pelo desejo de contribuir e valorizar o que acredita o brasileiro tem de mais valioso: sua própria cultura.
Obras de referência: os álbuns Sertão Ponteado - memórias musicais do entorno do DF e Chapada dos Veadeiros - culturas tradicionais do Norte de Goiás, da série Cultura Popular Viola Corrêa, e o livro Tocadores.
PROFESSOR
Em 1977, Roberto Corrêa começou sua relação com a viola. Nessa época, não encontrou publicações que fizessem jus à real importância desse instrumento. Por isso, pesquisa a viola e divulga esse conhecimento, produzindo o material que ele próprio não encontrou quando iniciou seus estudos. Neste sentido, o seu primeiro livro, Viola Caipira, lançado em 1983, é uma obra pioneira.
Roberto ajudou a instalar o primeiro curso de viola caipira em uma instituição oficial de ensino, em atividade desde 1985, na Escola de Música de Brasília. Lá, o violeiro-professor encontrou o ambiente ideal para fazer nascer o seu método de ensino, consagrado no livro A arte de pontear viola, lançado no ano 2000. A obra sistematiza as técnicas aprendidas com violeiros antigos e adapta técnicas do violão clássico à viola.
Roberto Corrêa transforma em método e lições todo o conhecimento adquirido ao longo da vida de violeiro. Compartilha seus segredos e descobertas, sempre com o objetivo de fazer sua contribuição na formação de outros artistas e no crescimento e desenvolvimento da viola caipira.
SHOWS E OFICINAS
Roberto Corrêa já se apresentou em todos os estados brasileiros e em 29 países. Vários palcos nobres estão na trajetória do músico: Konzerthaus (Viena), Beijing Concert Hall (Pequim) e Haus der Kulturen der Welt (Berlim). Em várias ocasiões, foi convidado a representar oficialmente o Brasil na França, no Canadá, na Itália, em Portugal, nos Estados Unidos, no México e em toda a América do Sul e Central.
No Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, se apresentou em 2006. Foi aqui que nasceu o CD Chapada dos Veadeiros - culturas tradicionais do Norte de Goiás, dedicado ao berço do Encontro. Apresenta cantorias da folia do Divino Espírito Santo, as menos usuais folias de São Jorge e de Santo Antônio e brincadeiras ligadas às devoções, como catiras e curraleiras.