O Samba de Viola Raízes de Pitanga se apresentou no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2010. Na época, chegou com a composição de 18 sambadeiras e 12 tocadores. O violeiro, José Moura, era o mais velho integrante do grupo, assim como a sambadeira mais velha era Maria Cândida.
O grupo se apresenta com os homens tocando instrumentos variados - como gimbê, pandeiro, marcação, viola, tam tam e tábuas - e as mulheres rodopiando com vestido rodado nas cores vermelho e branco, que enriquece o gingado dos movimentos.
Bernadete Pacifico, na época coordenadora geral, falou com muito orgulho do trabalho desenvolvido em várias cidades, divulgado em escolas, festivais, encontros. Assim, conservam a tradição de aproximadamente 150 anos de história, passada de geração em geração, mantendo a viva e ativa a cultura quilombola do Recôncavo Baiano.
Na comunidade, o grupo realiza a Festa de São Gonçalo, padroeiro dos quilombolas, assim como Santo Antonio. São Gonçalo é o santo casamenteiro, embora seja conhecido também como padroeiro dos músicos, prostitutas e gestantes. Existe até a crença que a reza de São Gonçalo cura o vício da embriaguez, pois ele foi alcoólatra e depois se tornou santo.
A Dança de São Gonçalo é uma tradição centenária que passou de geração em geração no pequeno povoado de Pitanga de Palmares. Até hoje são realizadas diversas manifestações cênico-musicais, como a Dança do Engenho, que se dança na roda após o trabalho, agradecendo a produção da cana de açúcar; e a Dança de São Gonçalo, que é uma reverência ao Santo Gonçalo. Esta apresentação acontece no mês de janeiro, com um Caruru para as crianças, um longo Reisado e uma dança particular na frente do Santo iluminado, seguido de um repicado samba de viola e batuque. As festividades incluem danças, comidas típicas e muitas apresentações culturais da região.
No Encontro, Bernadete agradeceu ao Mestre Matias dos Santos, o Mestre da Cultura, que, segundo ela, fez um trabalho único no sentido de resgatar várias manifestações culturais, como o samba de viola, Bumba meu boi, Baile de Pastorinhas, Samba do Engenho, A Burrinha e a Loba, Terno de Reis, Samba de Caboclo, Candomblé local (Ilê Axeajipocan) e outros. Com orgulho, ela contou que recebeu das mãos de Mestre Matias a missão para continuar o trabalho. “Ele me entregou o cajado na sala do hospital quando sentiu que já ia partir”, lembra ela.
O grupo conta com a ASSEBA (Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia), que tem como objetivo fomentar e fortalecer a diversidade de expressão de sambadores e sambadeiras.
Na comunidade, o grupo realiza oficinas de artesanato de piaçavas e palha da costa, matéria-prima tradicionalmente utilizada pela comunidade. Com a palha, os integrantes do grupo fazem bolsas, mandalas, chapéus, porta-copos, entre outros objetos e arte. Trabalham também com o coco da piaçava e realizam oficinas de estandarte e figurinos, quando são confeccionadas as roupas, chapéus e colares.
Durante a apresentação no palco da Vila de São Jorge, no Encontro de Culturas, o Samba de Viola agitou uma multidão embalada pela viola centenária e o gingado das sambistas.