Zabé da Loca
Cultura Tradicional

Zabé da Loca

Isabel Marques da Silva, mais conhecida como Zabé da Loca, foi uma pifeira brasileira, também apontada como a "rainha do pife". Seu apelido se deriva do fato de ter vivido por mais de 25 anos em uma loca (ou gruta), fechada por duas paredes de taipa, em um sítio nas proximidades de Monteiro, na Paraíba.

Isabel Marques da Silva, mais conhecida como Zabé da Loca, foi uma pifeira brasileira, também apontada como a "rainha do pife". Seu apelido se deriva do fato de ter vivido por mais de 25 anos em uma loca (ou gruta), fechada por duas paredes de taipa, em um sítio nas proximidades de Monteiro, na Paraíba. Nasceu em Buíque (PE), em 12 de janeiro de 1924, e morreu em Monteiro (PR), em 5 de agosto de 2017.

Zabé da Loca participou do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros em 2007.

No ano de 2003, Zabé foi descoberta pelo Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que, no processo de implantar bibliotecas e incentivar a leitura no campo, também identifica as potencialidades culturais das comunidades rurais. O reconhecimento de seu talento lhe rendeu o CD Zabé da Loca, patrocinado pelo MDA, por meio do Projeto Dom Helder Camara, que atua no sertão nordestino.

O CD é parte da Série Cantos do Semi-Árido, do MDA, e contou com a produção e assessoria do grupo Quinteto Violado. O disco foi gravado no assentamento, em estúdio móvel, e Zabé teve o acompanhamento dos seguintes amigos tocadores: o sobrinho Beiçola (pífano), o filho Setenta (caixa), o compadre Mestre Levino (prato) e o vizinho Pinto (zabumba).

No CD, o grupo executa Asa Branca de Luiz Gonzaga e composições próprias, como Balão, Araçá cadê mamãe e Fulô de Mamoeiro. Em dezembro de 2003, o CD foi lançado numa grande festa em Afogados da Ingazeira, no sertão do Pajeú pernambucano, durante o lançamento nacional do Programa Arca das Letras e da Série Cantos do Semi-Árido, com a participação do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, da Banda de Pífanos do Leitão da Carapuça e do Grupo de Coco Negros e Negras do Leitão, grupos musicais da comunidade quilombola Leitão/Umbuzeiro, de Afogados da Ingazeira. Ainda em 2003, Zabé foi a maior atração do Festival de Brincantes, realizado em Recife.

Em 2004, Zabé da Loca fez parte do projeto "Da Idade do Mundo", da produtora Lume Arte, sendo a convidada do músico Carlos Malta para acompanhá-lo em duas apresentações no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília. Em junho do mesmo ano, sua apresentação com Hermeto Pascoal, no Fórum Mundial de Cultura, ocorrido em São Paulo, foi efusivamente aclamada, merecendo atenção especial de participantes estrangeiros. No mesmo período, apresentou-se no espaço cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro.

Em setembro de 2007, aos 83 anos, gravou o CD Bom todo, pelo selo Crioula Records, com direção artística de Carlos Malta. O trabalho exibe faixas em que Zabé comprova sua consistência como instrumentista, através do virtuosismo com que executa seu "pífe" (pífano) em peças como Balaio de onça, de Carlos Malta; o xote Sala de reboco, de Luiz Gonzaga; a ciranda Sai de casa, o coco Limoeiro e o baião Caboré, de sua autoria, além de Queima e Vai minininho, parceria com Beiçola, músico de mãos tortas, falecido em 2006, logo depois das primeiras gravações, e com quem Zabé interpreta os clarins marciais do Hino Nacional Brasileiro.

Em 2008, Zabé da Loca foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura. Em 2009, aos 85 anos, Zabé da Loca, ganhou o Prêmio da Música Brasileira, categoria Revelação, pelo CD Bom Todo, no Canecão, Rio de Janeiro, emocionando a platéia, que a aplaudiu efusivamente em pé.

   

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