O nome Zambiapunga é derivado do Nzambi-a-Mpungu, que é o nome do Deus supremo dos povos bantos do baixo Congo. Criado em Nilo Peçanha, na Bahia, o Zambiapunga é um cortejo de homens mascarados que saem às ruas na véspera no dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos.
A tradição explica que a apresentação do grupo acontece para receber os bons espíritos com alegria.
Tocam suas cuícas rústicas, búzios, enxadas e outras ferramentas agrícolas, usadas como instrumentos de percussão, dançando e colorindo a cidade com roupas, máscaras e chapéus feitos de panos e papéis de seda coloridos.
O grupo também costuma sair em eventos tradicionais da cidade, como celebrações ao padroeiro e festas juninas.
ZAMBIAPUNGA NO ENCONTRO DE CULTURAS
Os primeiros raios de sol do sábado, 2 de agosto de 2008, vieram acompanhados de um som que ecoou por toda vila. Uma música que não tinham possibilidades de não prestar a atenção. O cortejo do Zambiapunga saiu do cemitério da Vila de São Jorge às 5h30 da manhã, acordou o vilarejo ao som de cuíca rústica, enxada e búzios. O grupo deu uma mostra do que acontece em Nilo Peçanha (BA), quando o grupo sai na madrugada do dia 1 de novembro do cemitério e acorda toda a cidade para participar da brincadeira.
Cerca de 100 pessoas acordaram, ou esperaram desde a madrugada, o grupo baiano passar. Fantasiados, as cores descobriam a manhã nas ruas de São Jorge, e mesmo quem não quis acompanhar o cortejo saiu na porta de casa para dar uma olhada. Aqueles que não conseguiram acompanhar, puderam ver o cortejo novamente no final da tarde. Zambiapunga e o Congo de Niquelândia deram início à festa de encerramento do VIII Encontro de Culturas Tradicionais dos Veadeiros.
Os dois cortejos terminaram na quadra em frente ao palco, chamando o público para o encerrar a noite com a Opereta Popular O que é o que é? Faca sem ponta, galinha sem pé! A Turma que Faz e Doroty Marques colocaram a população de São Jorge para prestigiar suas crianças no palco. A opereta de 2008 foi uma crítica ao esquecimento de brincadeiras de rua, à falta de incentivo ao lado lúdico infantil e no colocar as crianças para brincar em programas de computador que não criam imaginação, já dão a imagem formada. Entraram em cena o boi tatá, o curupira, o véio, as brincadeiras de roda, cantigas, entre outros. Um coral de mães dos alunos da Turma, Dércio Marques e músicos locais também participaram da opereta.